Para Scott Sonenshein, autor de O Poder do Menos, é preciso encontrar maneiras de trabalhar com menos recursos e manter a mentalidade aberta para a inovação

Para atingir níveis de alta performance no ambiente corporativo, é preciso encontrar maneiras de trabalhar com menos recursos, buscando soluções criativas e ágeis, sobretudo em períodos de crise. Foi o que afirmou Scott Sonenshein, professor de gestão na Rice University e autor do livro “Stretch – O poder do menos, o segredo da alta produtividade”, durante o HSM Leadership Summit 2018, evento que aconteceu nesta semana, em São Paulo.

O professor propôs um exercício: pense em abundância e depois em escassez. A conclusão é que o subconsciente irá influenciar seu raciocínio. Os melhores resultados e a inovação geralmente surgem quando há escassez de recursos. Ter um orçamento limitado, por exemplo, pode impulsionar sua criatividade para concluir um projeto. Então é possível pedir um pouco menos — dinheiro, auxílio e tempo — e ser mais produtivo.
Dica prática: desviar o foco temporariamente ajuda a solucionar um problema. Por exemplo, desenhe uma imagem com três cores diferentes para ativar seu cérebro e estimular a criatividade.

Na crise de 2008, Scott encontrou uma empresa que se mantinha crescendo. O que permitiu que ela continuasse sendo bem-sucedida? A cultura da companhia estimulava o sentimento de posse e a autonomia dos funcionários para implementar soluções inovadoras e resolver problemas. Usando uma metáfora, ao ganhar um vestido horrível, sua reação deve ser pegar uma tesoura, cortar as alças e fazer uma saída de praia. Em outras palavras, crie uma cultura de propriedade. Incentive seus funcionários a criarem projetos, processos e outros recursos, o que irá mantê-los motivados. Tolere erros se eles resultarem em aprendizado. E promova o espírito de equipe, minimizando as diferenças de status.

Uma metanálise concluiu que o desempenho explicado pela experiência prática influencia  26% no xadrez, 21% na música, 18% no esporte, 4% na educação e menos de 1% no trabalho. Ou seja, ter uma boa performance em uma área não está relacionado à expertise de conhecê-la em profundidade, mas, sim, a ter uma amplitude de experiências. “O grande diferencial é ser um profissional ágil e adaptável, afinal, estamos em um contexto de mudanças em uma velocidade cada vez maior”, afirma o professor.

Para Sonenshein, é essencial diversificar as experiências da equipe. Por exemplo, participar de conferências de outros setores, incentivar os membros do seu time a interagirem com estranhos e aceitar diferentes tipos de projetos. Ao contratar um funcionário, peça que ele compartilhe suas vivências para impulsionar novas ideias.

Somos capazes de criar expectativas. Por exemplo, quando ouve falar mal de um funcionário novo, você absorve aquela impressão e sua reação imediata ao vê-lo é colocar um rótulo ruim. Scott denomina esse comportamento como atribuição de erro. “Quando enfatizamos o lado negativo de uma pessoa, atribuímos o problema a ela. Mas quando destacamos o positivo, conseguimos definir expectativas que nos inspirem a ser tão bons quanto ela”, diz o professor. Então evite colocar “chapéu de burro” nas pessoas, tendo consciência do que impulsiona esse comportamento. Depois, defina expectativas maiores, porém alcançáveis.

Para ter sucesso, é preciso reconhecer que podemos agir de forma espontânea. “Gastar bilhões de dólares com planejamento estratégico gera resultados ruins. O improviso é que leva ao aprendizado e impulsiona o sucesso”, afirma Sonenshein. Seguindo por essa lógica, planejar o incerto é perda de tempo.Em vez de fazer projeções para o futuro, seja ágil e preciso improvisando pequenos experimentos no presente. A mensagem final do professor é: “Aja com o que tem a sua frente e use sua criatividade para criar algo. Faça como a Nike, ‘Just do it'”.

Com Época Negócios

 

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