tn_658_645_coletivo_rcA partir de janeiro de 2016, passageiros do sistema de transporte coletivo de Londrina podem pagar menos se utilizarem coletivos fora dos horários de pico no trânsito. A medida foi proposta pelo prefeito Alexandre Kireeff e aprovada em segunda votação na tarde desta quinta-feira (8), pela Câmara de Vereadores. Não houve discussões nem polêmicas: os vereadores aprovaram a proposta de forma unânime, com 16 votos.

A proposta da Prefeitura, aprovada pela Câmara, prevê descontos de até 10% no preço da tarifa – atualmente em R$ 3,25 – para quem passar pelas catracas das 8h30 às 11h30 e das 14h às 17h. Os micro-ônibus Psiu estão excluídos do desconto.

A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deve aplicar a tarifa diferenciada a partir de janeiro do ano que vem e ainda não definiu se o desconto chegará, de fato, ao teto de 10% autorizado pelos vereadores.

Se o valor diferenciado vigorasse a partir de já, um passageiro que entrasse nos coletivos de Londrina fora do horário de rush pagaria R$ 2,90, ou seja, R$ 0,33 a menos. As empresas Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e LondriSul, concessionárias do sistema, veem a medida com reservas.

Na justificativa da proposta aprovada, o prefeito Alexandre Kireeff defende a medida como forma de “diminuir a frota em circulação e os congestionamentos gerados por ela, aumentando a velocidade de fluxo do transporte coletivo e reduzindo o tempo gasto em deslocamento de todos os usuários”. Além disso, Kireeff também argumenta que a tarifa por horário pode aumentar receitas, diminuir custos operacionais, diluir os picos de demanda e diminuir a ociosidade dos ônibus.

Valor indefinido

A tarifa diferenciada deve ser estipulada pelo prefeito junto com o novo aumento no valor da passagem do transporte, também previsto para janeiro. Ao menos dois quesitos devem impactar diretamente o preço do transporte municipal: os reajustes do diesel e o aumento da contribuição previdenciária por parte das concessionárias, que vai de 2% para 3% da folha salarial.

“Só definiremos o valor do desconto a partir de dezembro, quando fechamos o balanço do sistema e o resultado da operação do transporte coletivo na cidade”, explicou Wilson de Jesus, gerente da CMTU. “Pode ser 5%, 6% ou 10%. Tudo vai depender”.

Mudança de hábito

O gerente da CMTU diz que o desconto pode ser concedido a qualquer passageiro – não apenas aos que usam o cartão do transporte, como inicialmente previa a proposta. “Esperamos não só que os usuários do sistema sejam incentivados a trocar os horários que usam o ônibus. Comerciantes que compram vale-transporte para funcionários também poderão acessar o desconto e podem discutir, inclusive, mudança do horário de funcionamento”, afirma Jesus.

Ainda segundo o gerente, a adesão da população aos novos horários e valores pode aumentar, inclusive, o número de passageiros usando o transporte coletivo. Futuramente, a CMTU não descarta propor preços diversificados também para o horário noturno e fins de semana, momentos quando o fluxo de passageiros no sistema cai expressivamente.

Empresas desconfiam da proposta

Em parecer enviado aos vereadores, as empresas LondriSul e Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e apontaram restrições à proposta. O documento, assinado por Gildalmo de Mendonça, administrador executivo da TCGL, e Estéfano Boiko, administrador da LondriSul, sugere que o preço diferenciado por horário traz riscos de desequilíbrio econômico-financeiro para o sistema, caso o novo benefício tarifário seja aplicado “sem o reajuste da remuneração estipulada ou sem nenhuma previsão de obrigação de pagamento” às empresas.

A sugestão é de que a Prefeitura e CMTU remunerem as concessionárias com a diferença concedida aos passageiros como desconto. Para TCGL e LondriSul, sem tais condições, a tarifa diferenciada fere o contrato de concessão do serviço, assinado em 2004.

As empresas também sustentam a necessidade de mudar o horário de funcionamento de empresas, indústrias e comércios de Londrina para viabilizar adesão maciça ao novo formato. Sem isso, apontam, a definição de tarifas por horário pode resultar inócua: “Os trabalhadores não vão se atrasar só para pagar uma tarifa mais barata”, apontam.

As concessionárias também justificam que a melhoria do transporte público prescinde não apenas de tarifas diferentes, como de ajustes no sistema e na fiscalização – como das faixas exclusivas para os coletivos.

“Atualmente, as faixas são constantemente invadidas por veículos particulares que sistematicamente prejudicam os usuários”, afirmam.

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