O grupo internacional de cientistas que está estudando o sol, do qual faz parte o professor Marcelo Emílio, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), chegou à conclusão que o sol é mais redondo que se acreditava. Estudos desenvolvidos nos últimos dois anos e publicados agora na revista Science revelaram que o astro é quase perfeitamente redondo.

O grupo é formado também por dois astrônomos da Universidade do Havaí (EUA), Jeff Kuhn e Isabelle Scholl; e Rock Bush, da Universidade de Stanford (EUA). De acordo com o professor brasileiro, o sol é o objeto natural mais redondo já medido. “Se redimensionado para o tamanho de uma bola de futebol, o sol seria tão redondo que a diferença entre os diâmetros mais largo e mais estreito seria muito menor que a espessura de um cabelo humano (17 milionésimos do metro)”.

Emílio explica que o sol deve ser ligeiramente achatado, porque não tem superfície sólida. E tem um formato levemente achatado – o diâmetro dos “polos” é menor do que o do “equador”. As observações foram feitas com o instrumento HMI “Helioseismic e Magnetic Imager” a bordo do satélite Observatório Dinâmico Solar (SDO). O campo gravitacional do astro é modificado por seu achatamento e é esse campo é responsável pela órbita dos planetas.

CICLOS – Os astrônomos presumiam que o formato do sol mudasse de acordo com seu ciclo de manchas solares. Mas perceberam que a variação era praticamente imperceptível. “Nesse período, o sol evoluiu do valor mínimo de atividade de manchas solares para o máximo, o que deveria causar as maiores mudanças em seu formato”, diz Marcelo Emílio. Ao contrário, o sol permaneceu extremamente estável e quase não foi afetado pelo ciclo, o que desconcertou os cientistas.

O professor acentua que esse pequeno achatamento tem sido estudado utilizando-se vários instrumentos por quase 50 anos, para aprender sobre a rotação do sol, especialmente a rotação abaixo de sua fotosfera (parte visível do Sol), que não podemos ver diretamente. Marcelo Emílio ressalta que porque não há nenhuma atmosfera no espaço para distorcer a imagem solar, eles foram capazes de usar a sensibilidade de imagem do instrumento HMI para medir a forma solar com precisão sem precedentes.

FORÇAS – Os resultados registram que o achatamento solar é notavelmente constante ao longo do tempo e muito pequeno para concordar com o que é previsto a partir da rotação na fotosfera solar. Isso sugere que outras forças subterrâneas, como magnetismo solar ou turbulência, podem ser uma influência mais poderosa do que o esperado.

“Há anos acreditamos que flutuações em nossas medidas estavam nos dizendo que o sol varia, mas esses novos resultados dizem algo diferente. Enquanto tudo mais se altera no sol, junto com seu ciclo de manchas solares de 11 anos, o achatamento não muda”, explica Jeff Kuhn. O professor Marcelo Emílio acentua que o achatamento do sol muda a geometria do campo gravitacional de perfeitamente esférico para uma forma mais complexa e perturba a órbita de planetas e de outros pequenos corpos do sistema solar.

Segundo o cientista, um dos exemplos é o movimento retrógrado do perihélio do planeta Mercúrio, um dos testes clássicos da teoria da relatividade geral de Albert Einstein. Parte dessa mudança da órbita no planeta Mercúrio é devido a relatividade geral e outra parte pela geometria não perfeitamente esférica do campo gravitacional do Sol provocado pelo seu achatamento.

O professor Marcelo Emílio é lotado no Departamento de Geociências da UEPG e ocupa a direção do Observatório Astronômico da instituição, localizado no Campus Universitário de Uvaranas, em Ponta Grossa. Recentemente integrou grupos de pesquisas que calculou o diâmetro solar com a maior precisão da história, estudo que alcançou grande repercussão na comunidade científica internacional.

Com o suporte de dez anos de pesquisas e observações, o grupo descobriu que o sol é cerca de 700 quilômetros maior do que se pensava – o diâmetro solar é de 1.392.684 quilômetros.

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