Projeto da UEL é destaque em congresso de produção de cana de açúcar
Postado por: Equipe Portal Cambé Em 25th julho 2015
UEL é destaque em Congresso de Produção de Cana de Açúcar.Gisele de Aquino, pós-doutoranda da UEL. Foto: Divulgação UEL
UEL é destaque em Congresso de Produção de Cana de Açúcar.Gisele de Aquino, pós-doutoranda da UEL.
Foto: Divulgação UEL

Projeto de pesquisa desenvolvido pelo Departamento de Agronomia do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi um dos destaques do VII Simpósio de Tecnologia de Produção de Cana de Açúcar, que aconteceu de 15 a 17 deste mês na Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP).

O projeto “Manejo Sustentável da Palhada da Cana-de-açúcar para Otimização da Produção de Energia” foi classificado em 2º lugar no quesito Inovação do Setor Sucroalcooleiro.

O projeto é financiado pela Petrobras, espalhado por nove núcleos regionais, sendo que UEL representa o polo da Região Sul. O objetivo é verificar a quantidade de palhada que pode ser retirada do campo para a produção de bioetanol e cogeração de energia sem prejudicar a sustentabilidade do sistema produtivo. Os trabalhos começaram em agosto de 2010 e os primeiros resultados impressionam pesquisadores e começa a atrair a atenção do setor produtivo de álcool e açúcar.

A pós-doutoranda da UEL, Gisele de Aquino, adianta que, em condições semelhantes ao experimento, considerando solo argiloso, a recomendação aos produtores é manter pelo menos 50% da palhada produzida pela cana como cobertura natural do solo, ao invés de queimá-la ou retirá-la da área cultivada.

A palhada proporciona maior umidade do solo, garantindo benefícios para a propriedade rural, inclusive evitando a erosão. O Brasil perde anualmente mais de 500 milhões de toneladas de solo, que acabam assoreando rios e lagos, em um prejuízo ambiental em cadeia. Além da perda de solo, a erosão representa desperdício de nutrientes do solo, um prejuízo financeiro estimado em mais de U$S 120 milhões, somente no Paraná.

“Em uma situação de déficit hídrico, a palhada proporcionou aumento da produtividade de cana de açúcar em até 49%. Quanto maior a deficiência de água, maior o efeito da palhada”, compara a professora, acrescentando que acima da marca de 50% (de palhada depositada no solo) não há registro de aumento de produtividade. Estes resultados são para solos argilosos, típicos na região norte do Paraná.

Gisele frisa que o correto é mesmo manter pelo menos metade da palhada como cobertura natural do solo, podendo reservar a outra parte para a produção de bioetanol (etanol 2G) ou geração de energia elétrica. Para se ter uma dimensão de quanto vale este resíduo, uma tonelada de palhada pode gerar 287 litros de etanol, enquanto a mesma quantidade de cana pode gerar 80 litros.

Como não há proibição da queimada da cana de açúcar, com exceção do Estado de São Paulo, onde a prática é proibida, a pesquisa desenvolvida na UEL serve como base para os demais estados produtores. O estudo comprova que a palhada como cobertura do solo proporciona aumento de produtividade em períodos de estiagem e proteção em períodos chuvosos.

PARANÁ – O Paraná é o quinto maior produtor de cana de açúcar do país, com 635 mil hectares de área plantada, que responde com 1,22 bilhão de litros de etanol e 3 milhões de toneladas de açúcar. Fazem parte desta cadeia 33 usinas, distribuídas principalmente no Norte do Paraná.

Para desenvolver a pesquisa a UEL mantém parceria com a Usina Bandeirantes, que cedeu aproximadamente um hectare de área para o experimento. A pesquisa fez parte da tese de doutorado de Gisele Aquino, defendida este ano. Participam do projeto 14 estudantes de graduação em Agronomia e dois de mestrado da UEL, além da professora Cristiane Medina, que responde pela coordenação dos trabalhos.

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