Depois de 17 dias, montanhista é resgatada com vida pelo Corpo de Bombeiros na Serra do Mar

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O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná, após 17 dias de buscas realizadas dia e noite, encontrou a montanhista Denise Ciunek, de 38 anos, que desapareceu no Caminho do Itupava, na Serra do Mar, no dia 19 de agosto, enquanto caminhava. Denise foi encontrada debilitada, porém lúcida e caminhando. Ela foi localizada às 13h30 da tarde deste domingo (05) sobre uma pedra, cerca de 3 quilômetros da Represa Véu da Noiva.

Em seguida, Denise caminhou com os bombeiros até a represa, de onde foi transportada em uma auto-de-linha (espécie de trem de socorro) até a Estação Engenheiro Lange. Depois, seguiu em uma viatura do Corpo de Bombeiros, chamada auto-busca e salvamento, até o posto de Morretes, onde um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal a aguardava, com um médico socorrista para transportá-la ao Hospital do Rocio, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.

“Os policiais do Corpo de Bombeiros foram os anjos do céu que vieram para me salvar”, disse a montanhista ao chegar no posto do Bombeiros de Morretes. “Eu estava com medo da chuva que estava chegando. Estava em um vale, entre duas cachoeiras, e não ouvia nada. Me perdi porque surgiu um homem que me ameaçava e parecia querer me violentar. Ele me atacou, consegui fugir, mas me perdi”, detalhou Denise.

Ela revelou ainda que até o sétimo dia tinha comida e que, durante os outros 10 dias, tomou apenas água. Segundo Denise, depois de se perder, caminhou por mais quatro dias e parou no local onde foi encontrada. “Agora quero muito ver meu pai, estou com saudades da minha família. Só falei com minha irmã por telefone, quero muito falar com meu pai, muito mesmo”, pediu emocionada.

Para o coordenador das buscas e comandante do 2º Subgrupamento de Bombeiros Independente, major Edimilson de Barros, as buscas continuaram mesmo quando as esperanças já estavam se esgotando. “Por isso, encontrar a Denise com vida é uma vitória da persistência”. Barros informou que neste período, mais de 200 pessoas trabalharam no resgate, entre eles integrantes do Corpo de Bombeiros do litoral, do Grupo de Operações e Socorro Tático (Gost) – Grupo especializado do Corpo de Bombeiros -, voluntários do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e do Corpo de Socorro em Montanha.

”Todos juntos formaram um grande mutirão com um único objetivo: resgatar a Denise com vida”, disse o major. De acordo com Barros, ela foi encontrada em uma área não muito longe das buscas. Porém, o som ficava abafado e ela não conseguia ouvir os apitos, os chamados, a passagem das equipes.

“Em nenhum momento consideramos a hipótese de desistir da busca. Todos os dias pela manhã, tínhamos a certeza de que iríamos encontrá-la. A cada momento, nossas expectativas aumentavam”, detalhou Barros. O major disse que um integrante do Grupo de Socorro em montanha foi o primeiro a avistar Denise e a chamar todo o grupo de resgate que estava próximo.

“Ela foi encaminhada em um helicóptero para Campo Largo, onde passou por uma bateria de exames, já que ficou muitos dias na mata, em um local bem inóspito”, informou ainda o major. Para o sargento Frederico Alberto Sobrinho, a experiência foi marcante. “Pertenço ao posto de Antonina. Esta foi minha primeira busca pelo 2º Subgrupamento Independente e, com certeza, o resgate da Denise é um fato que levarei para sempre na minha vida”.

BUSCA – Foram 10 dias de buscas em todo o Caminho do Itupava, desde a Borda do Campo (São José dos Pinhais) até Morretes, passando pelas localidades de Pão de Ló, Cadeado, Véu da Noiva e até mesmo Salto dos Macacos, que não faz parte da trilha. Na última quarta-feira (1) uma força-tarefa com 52 pessoas, entre bombeiros e voluntários, refez todos os caminhos possíveis para encontrar Denise. A montanhista foi encontrada domingo entre o Cadeado e o Véu da Noiva.

Segundo o sargento Sobrinho, os integrantes das buscas foram divididos em duas equipes, mesclando representantes de todos os grupos. “O primeiro homem a localizar Denise, encontrou antes um estojo de óculos e, depois, a cerca de 10 metros adiante, a vítima deitada em uma pedra, meio sonolenta”.

O gerente do Parque Estadual Pico do Marumbi, Lotário Horst Stoltz, que também fez parte das equipes, ressaltou que o resultado foi uma vitória emocionante. “Nunca vi uma união tão grande entre grupos diferentes com um único objetivo. Participei durante sete dias. Já estava com dor nas pernas, mas graças a Deus ela foi encontrada, e o melhor: com vida”.

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