Apesar de ter notas maiores que a rede pública de ensino, as escolas particulares obtiveram média de desempenho abaixo da meta estabelecida para 2011, como revela o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado hoje (14). Os resultados apontam que a rede privada tem avançado menos nos últimos anos, tanto nos níveis iniciais, como nos finais do ensino fundamental e no nível médio.

Para a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, estar em um patamar mais elevado já é um fator que dificulta o alcance da meta. “Se bateu ou não bateu [a meta] depende muito do ponto inicial, eles [rede privada] já estavam em um ponto superior, portanto teriam mais dificuldade de bater a meta. É mais difícil ter ganhos de uma edição para a outra [quando o nível já é mais alto]”, avalia.

De acordo com dados do Ministério da Educação, as escolas privadas respondem por 14,3% das matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais e no ensino médio, o percentual de participação é 12% em cada um dos níveis. Nas séries iniciais, a nota média registrada pela rede privada em 2011 foi 6,5, enquanto a meta estabelecida era 6,6. Quando comparada com a rede pública, no entanto, o índice é 1,8 ponto superior.

No ensino fundamental, a diferença do Ideb da rede pública e da particular é maior nos anos finais (2,1 pontos). Nessas séries, o Ideb das escolas privadas ficou em 6, enquanto o objetivo estabelecido para o ano passado era 6,2. No ensino médio, o distanciamento em relação à rede pública é superior, com 2,3 pontos de diferença. A nota registrada pelas escolas privadas nesse nível é 5,7, enquanto a meta estabelecida era 5,8.

Amábile Pácios, presidenta da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), acredita que avançar nas médias, mesmo sem atingir as metas é um bom resultado. “A nota cresceu [em comparação com 2009] e a gente ficou apenas poucos décimos abaixo da meta. Isso é um excelente resultado”, avalia. Desde 2005, primeiro ano da pesquisa, as particulares obtiveram crescimento gradual nas médias do ensino fundamental. No ensino médio, no entanto, este é o primeiro ano em que a nota cresceu de 5,6 para 5,7.

A presidenta da Fenep concorda que estar em patamar superior torna as metas mais difíceis de serem cumpridas. “Os objetivos que nos são colocados devem ser alcançados em termos gerais somente em 2021. As metas são mais exigentes para a escola particular”, aponta.

O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) estabelece como meta para os anos iniciais do ensino fundamental, por exemplo, a nota 6 em 2021. As escolas particulares, por sua vez, alcançaram esse patamar em 2007.

A Fenep acredita que a aproximação entre as notas da rede pública e particular pressiona o ensino privado a melhorar a qualidade. “Os resultados mostram que tanto as particulares como as públicas estão no caminho certo. O avanço da rede pública é importante para o país, para as crianças e também para a escola particular. Nossa pretensão é continuar subindo e avançar o máximo, principalmente na qualidade”, destaca.

Amábile Pácios destaca que a rede privada não tem como meta apenas o Ideb. “Nosso alvo não é ter uma nota ou outra em determinada avaliação. Buscamos a qualidade do ensino, consequentemente as notas das avaliações, sejam elas nacionais ou internacionais, avançam”, explica. Para a presidenta, o Ideb ajuda a colocar toda a rede de ensino do país em uma mesma perspectiva de crescimento.

Edição: Carolina Pimentel e Juliana Andrade

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