Com pouca verba, PF suspende operações – Globo diz que deu tratamento igual a candidatos – Entrevistas no “JN” viram munição para campanhas – Lula desiste de votar leis sociais antes da eleição – TSE derruba “verticalização” no horário eleitoral gratuito – Assessoria de banco diz não ter dado consolidado – Caixa esconde números desfavoráveis ao governo …

FOLHA DE S.PAULO

Governo lança “contestômetro” de Serra

Três dias depois de o presidente Lula determinar aos ministros que não deixem sem resposta nenhum ataque dos candidatos de oposição, duas pastas inauguraram ontem uma espécie de “contestômetro” oficial, rebatendo críticas feitas na véspera por José Serra (PSDB). No site do Ministério da Saúde, as principais notícias eram duas notas para rebater “declarações incorretas feitas por presidenciável”.

Os textos, em que parágrafos começam com a expressão “não é verdade que…”, foram imediatamente copiados nos sites do PT e da campanha de Dilma Rousseff. “Ministério da Saúde rebate mentiras de Serra no Jornal Nacional”, era a manchete ontem no site do PT. Na nota, o Ministério da Saúde diz não ter havido redução no número de cirurgias eletivas, além de rebater críticas feitas pelo tucano à política para as mulheres e de prevenção de doenças.

Na outra nota, o ministério nega que deixe de aplicar recursos no tratamento de pacientes afetados por drogas. A nota “Ministério dos Transportes contesta afirmações do presidenciável José Serra sobre o setor” também foi a principal notícia no site da pasta ontem. O ministério contestou afirmações do tucano sobre a baixa qualidade das rodovias federais.

Caixa esconde números desfavoráveis ao governo

A Caixa Econômica Federal omite dados do programa Minha Casa, Minha Vida desfavoráveis ao governo Lula. O banco federal alega não haver números consolidados sobre a conclusão de unidades habitacionais financiadas pelo programa, com detalhamento da sua execução por faixa de renda.

Mas os números existem e mostram que, no segmento no qual se concentra 90% do deficit habitacional do país, a conclusão dos imóveis não chega a 2%. Balanço referente ao dia 30 de junho deste ano obtido pela Folha revela que, para o grupo de renda de zero a três salários mínimos, apenas 1,2% das 240.569 unidades contratadas foi concluído. O número de unidades já entregues é ainda menor: 565, ou apenas 0,23%.

O Minha Casa, Minha Vida foi apresentado em março de 2009 como programa prioritário do governo federal e é uma das principais plataformas eleitorais da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. O governo espera assinar contratos de 1 milhão de unidades até o fim de 2010.

Assessoria de banco diz não ter dado consolidado

Procurada em três ocasiões, a assessoria da Caixa disse não ter dados consolidados sobre o número de unidades concluídas pelo Minha Casa, Minha Vida, com detalhamento por faixa de renda. Foram feitos contatos nos dias 15 de julho e em 4 e 6 de agosto. Informada sobre o teor da reportagem, a assessoria disse inicialmente que não divulgaria os dados. Depois informou que só divulgaria “quando houver o número disponível”.

Mantega nega manipulação de dados

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, convocou entrevista coletiva ontem para rebater reportagem da Folha que apontou erros e distorções nos dados do boletim de estatísticas divulgado terça-feira pelo governo. Mantega afirmou que não tem problema em reconhecer falhas e disse que “evidentemente pode ter algum erro” num documento com mais de 130 planilhas. Disse, porém, não aceitar acusação de manipulação de dados. “Nós não costumamos manipular dados, não sei se a Folha está manipulando a informação”, afirmou.

TSE derruba “verticalização” no horário eleitoral gratuito

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu ontem derrubar a “verticalização” da propaganda eleitoral, que havia sido imposta pelo próprio tribunal no final de junho. Os ministros entenderam que um candidato à Presidência e o próprio presidente Lula podem participar de programas de rádio e TV de candidatos a governador ou senador de seu partido, mesmo que eles estejam unidos regionalmente com partidos rivais em nível nacional.

Dos 7 magistrados do TSE, 4 também possibilitaram que os presidenciáveis, além do próprio presidente, participem dos programas de candidatos adversários na disputa ao governo de Estado quando seus partidos estão ligados nacionalmente.

Petista terá 46% mais de tempo que Serra na TV

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, terá 46% a mais de tempo na propaganda eleitoral na TV e rádio do que seu principal adversário, o tucano José Serra. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou ontem a divisão oficial do tempo da propaganda, que começa a ser veiculada na terça-feira e vai até 30 de setembro.

Confirmando projeção que a Folha já havia publicado, Dilma terá 10min39s em cada um dos blocos de 25 minutos, o que representa 42,6% do tempo total. Serra ficará com 7min19s (29,2%). A candidata Marina Silva (PV) terá 1min23s (5,6%). Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) ficará com 1min02s. Os outros cinco nanicos na disputa terão 56s cada um.

“Fichas-sujas” conseguem poucas doações

Além de estarem impedidos pelos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) de concorrer nas eleições deste ano, os candidatos enquadrados na Lei da Ficha Limpa enfrentam a falta de doações de pessoas físicas e jurídicas para suas campanhas. Levantamento feito pela reportagem nas prestações parciais de contas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de 152 candidatos barrados pela Justiça Eleitoral revela que, dos 50 fichas-sujas que declararam receita, 56% têm como principal fonte de recursos o próprio bolso ou doações feitas ao comitê.

Apenas dez deles (20%) receberam doações diretas de pessoas jurídicas, e só o candidato ao Senado Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) teve apoio financeiro do partido. Para 14 desses 50 candidatos, o dinheiro próprio foi a única fonte de recursos da campanha, como no caso do ex-senador e candidato ao governo de Rondônia Expedito Júnior (PSDB).

Expedito colocou R$ 78 mil do bolso na campanha deste ano -100% do que arrecadou. Em 2006, quando concorreu (e foi eleito) ao Senado, o político conseguiu R$ 220 mil no primeiro mês de campanha – quase duas vezes mais do que neste ano. Entre os fichas-sujas que financiaram toda a campanha com gastos próprios, o candidato a deputado federal Manoel Salviano Sobrinho (PSDB-CE) foi o que mais gastou: R$ 125 mil.

Plínio defende a legalização da maconha

Apresentando-se como “o candidato do Twitter e da juventude”, Plínio de Arruda Sampaio, 80, defendeu ontem o direito de aborto, a união entre pessoas do mesmo sexo e a legalização de “drogas culturais como a maconha”. Propôs ainda a extinção do Senado – um “valhacouto das oligarquias”.

A uma plateia de 250 jovens durante debate na PUC-RJ, Plínio questionou: “Que mal faz um baseado?” E respondeu: “Maconha faz mal para quem tem distúrbios psíquicos de fuga porque leva ao consumo de drogas mais fortes, como crack e cocaína. Mas esta pessoa precisa de tratamento médico. Drogas culturais – a maconha assim como a bebida (alcoólica) – devem ser não só liberadas como legalizadas.”

Lula desiste de votar leis sociais antes da eleição

O presidente Lula desistiu de enviar ao Congresso Nacional projeto da CLS (Consolidação das Leis Sociais) por causa da eleição. Segundo ele, seu “legado institucional” poderia ser deformado pelos deputados e senadores.

O objetivo da CLS é unificar os programas sociais e registrar em lei regras para benefícios, como o Bolsa Família. “Durante as eleições é todo mundo assim, é sorrisinho. […] Depois das eleições têm medo”, disse Lula.

Entrevistas no “JN” viram munição para campanhas

A participação dos candidatos no “Jornal Nacional”, da TV Globo, serviu de munição para as duas principais campanhas presidenciais. Enquanto petistas acusaram os apresentadores de terem dirigido perguntas mais fáceis a José Serra (PSDB) do que a Dilma Rousseff, aliados do tucano questionaram a falta de menção ao escândalo do mensalão, de 2005, na entrevista de Dilma.

Na noite de quarta, logo após a entrevista de José Serra, o presidente do PTB e aliado, Roberto Jefferson, postou em seu Twitter que os apresentadores foram “mais amenos” com o tucano. “Facilitaram para o meu candidato”, escreveu ele. A frase do petebista, citado na entrevista por sua participação no mensalão – escândalo que denunciou e na esteira do qual acabou tendo o mandato de deputado cassado –, foi utilizada pelos petistas para aumentar o tom dos ataques ao programa.

“Jornalismo de baixíssima qualidade”, disse o coordenador de comunicação da campanha petista, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), que criticou a falta de perguntas ao tucano sobre o mensalão do DEM, partido do vice de Serra, Indio da Costa (RJ).

Globo diz que deu tratamento igual a candidatos

A Central Globo de Comunicações divulgou nota ontem em que rebate as acusações das campanhas de que os candidatos foram tratados de forma diferente nas entrevistas realizadas ao longo desta semana. “O papel do jornalismo da TV Globo não é agradar a partidos nem a candidatos.” Leia a íntegra da nota.

“Desde 2002, as entrevistas têm o mesmo tom, com todos os candidatos. Neste ano, não foi diferente. Basta comparar as entrevistas dos três candidatos, pergunta por pergunta, para perceber que tiverem o mesmo grau de dificuldade. Apesar disso, militantes do PT reclamaram da entrevista de Dilma [Rousseff], militantes do PV reclamaram da entrevista de Marina [Silva] e militantes do PSDB reclamaram da entrevista de [José] Serra. Até nisso, houve equilíbrio. A candidata do PT Dilma Rousseff disse à equipe do “Jornal Nacional”, depois da entrevista, que se sentiu muito bem tratada e que a entrevista foi como deveria ter sido. Marina Silva e José Serra também fizeram comentários semelhantes. O papel do jornalismo da TV Globo não é agradar a partidos nem a candidatos, sejam quais forem, mas tentar esclarecer questões importantes para que os eleitores possam decidir melhor.”

Com pouca verba, PF suspende operações

O comando da Polícia Federal determinou a superintendentes e diretores regionais o bloqueio de verbas para operações em todo o país por prazo indeterminado. Em circular, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, reclama de cortes de R$ 122 milhões de janeiro a maio e alerta que a tendência é que a situação se agrave.

Já foram reduzidos gastos com o dia a dia das unidades e as diárias pagas a delegados e agentes estão sofrendo corte de 40%. Segundo um delegado que chefia operações no Estado de São Paulo, falta dinheiro até para a gasolina dos veículos.

Comissão de Anistia diz que rever indenização é “retrocesso histórico”

Em nota e em entrevista concedida por seu presidente, a Comissão de Anistia afirmou ser um “retrocesso histórico”, que “enfraquece a democracia”, a decisão tomada anteontem pelo TCU (Tribunal de Contas da União) de rever as indenizações mensais pagas pelo governo a perseguidos na ditadura militar (1964-85).

Paulo Abrão, presidente da comissão ligada ao Ministério da Justiça, afirmou que o TCU “estendeu demais” ao interpretar a reparação a anistiados como indenização ou pensão, argumento usado pelo tribunal, como diz a Constituição, para revisar o benefício pago a mais de 7.000 pessoas.

Previ fez levantamento normal de informações, afirma ex-presidente

Após acusações de que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) é uma “fábrica de dossiês”, o ex-presidente Sérgio Rosa disse que houve um “processo normal de levantamento de informações”. Ele rebateu declarações de Gerardo Xavier Santiago, ex-assessor da Previ, à revista “Veja”.

Disse ele que o fundo produzia dossiês contra a oposição e funcionava como máquina de arrecadação para o PT. Segundo o ex-presidente do fundo, as afirmações do ex-assessor são “mentirosas e difamatórias”. Em nota, disse que a CPI montada em 2005 pediu “uma enorme quantidade de informações”. “Analisando portanto a totalidade das informações apresentadas sob a forma de acusações, não resiste nem por um minuto a ideia de uma fábrica de dossiês. Congresso em Foco

Equipe Fenatracoop

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