Com o avanço da comunicação e a adesão de campanhas relacionadas a saúde por grande parte da população, organizações públicas e particulares têm adotado cores e títulos para propagarem uma causa, como é o caso do Setembro Amarelo! Essa Campanha, criada pelo Centro de Valorização da Vida-CVV busca trazer o diálogo sobre o suicídio.  E aí, você e sua família já conversaram sobre este problema real?

Pois é, muitos profissionais da área da saúde têm discutido sobre a prevenção, que segundo a Organização Mundial da Saúde, é possível em mais de 90% dos casos. Mas como prevenir se ninguém aborda tal situação?

Uma das profissionais que lida com a questão em seus atendimentos é Rose Cleir Guedes, psicóloga clínica e especialista em Saúde Coletiva. Ela nos contou como os atuais dados sobre o suicídio assustam e como realmente são preocupantes. “ A cada 24 horas 32 brasileiros vão morrer por suicídio. Isso sem contar os casos não reconhecidos ou registrados. Este dado é alarmante, é um problema de saúde pública, sim!”, esclarece Rose. Pergunto então, se ela tem como afirmar se o número de casos tem aumentado e qual o perfil destas pessoas, e ela confirma que grande parte das pessoas que têm passado por esta situação são jovens. “ O Ministério da Saúde afirma que em 2015 o suicídio a quarta causa de morte entre os jovens. Precisamos conscientizar nossos filhos, netos, amigos de que este assunto é sério e deve ser encaminhado até um profissional. Não podemos generalizar ou diminuir a dor do outro”, alerta Rose.

Por falar em perfil, muitos creditam à psiquiatras e psicólogos uma sabedoria emocional e técnica que os deixariam imunes a qualquer patologia, mas não é bem assim, conta Vilmara Russo, psicóloga e teóloga. “Mas você não é  psicóloga?. Questionavam os que sabiam que eu me encontrava em um quadro depressivo. Como se fosse proibido ou imoral uma profissional adoecer. Foi muito triste! Talvez um dos aspectos mais difíceis que enfrentei socialmente”, confessa Vilmara.  A psicóloga que sempre se viu do outro lado da situação, enfrentava a pressão social que era muito notória por morar , na época em que adoeceu, em uma cidade pequena. “ Tudo me era assustador. Eu sentia tanta angústia e um vazio na alma acompanhado de tanta tristeza, falta de fé, totalmente desprovida de esperança, que a morte parecia um alívio, uma saída! E em momentos de “lucidez” eu me culpava muito por trabalhar na área e ter me “deixado” atingir”.

Mas Vilmara Russo não se abateu e afirma que recebeu ajuda de diversas formas. “Não tinha mais sentido viver. Tinha perdido totalmente o medo da morte, o medo era da vida. Mas procurei ajuda profissional. Minha depressão foi diagnosticada endógena, fundo orgânico, causada pela disfunção hormonal, hipotireoidismo.  Tive uma resposta excelente com a medicação e pude reestabelecer minha vida depois de tudo que aconteceu.”

Rose e Vilmara, duas psicólogas que enfrentam diariamente a missão de lidar com patologias emocionais tão devastadoras, exaltam a necessidade de auxílio de profissionais para estes tipos de situações. “ Todo mundo se julga um pouco psicólogo, tem o impulso de acolher o outro, mas dizeres como: você tem uma família linda e isso é passageiro, não ajuda. O correto é encaminhar a pessoa que está passando por uma situação conturbada e que demonstra ter pensamentos de morte a um profissional. Este é o maior ato de amor “, resume Rose Guedes.  E Vilmara destaca também a necessidade da discussão sobre o assunto . “ Conversar, ter acesso a informação contribui muito para desmistificar a enfermidade que muitos ainda, em pleno século XXI, julgam como frescura, falta de fé, de Deus”.

Entendeu como é necessário pautar na sua casa, no seu ambiente este problema real e que atinge tantos em todo o mundo?

Gente, não é somente no Setembro Amarelo que devemos falar sobre o suicídio. Ele sempre esteve presente em nossa sociedade, mas ainda bem que organizações que auxiliam propagando a vida, surgiram! Este é o caso do  CVV Londrina. Caso perceba que alguém ou você mesmo estiver precisando de ajuda, contate o telefone: 188 ou acesse: cvv.org.br .

Emily Müller Gusmão

Lifestyle, moda, gastronomia e mercado de trabalho. Emily Müller traz bonitas ideias, acontecimentos e imagens para quem gosta de ver o que tem de bom em nossa região. Jornalista e workaholic assumida, fala sobre diferentes universos neste canal, inclusive sobre a maternidade e os melhores eventos e atividades para se fazer em Cambé e Londrina.

1 Comentário

Responda

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.