Matéria reproduzida da Folha de Londrina
Vestiário de quadra poliesportiva se transformou em mocó, segundo famílias do Jardim Santo Antônio, em Cambé.
Um impasse na liberação dos recursos entre o munícipio e o governo federal para a conclusão da reforma do campo de futebol e da quadra poliesportiva do Jardim Santo Antônio, em Cambé (Norte) resultou na transformação dos vestiários em um ”mocó”. Isso tem gerado um clima de insegurança entre moradores do bairro há mais de um ano. Cansados com a demora para a conlusão da obra e preocupados com o aumento da violência, os moradores pedem providências.

”Vivemos com um medo constante aqui. Eu não posso sair para viajar, por exemplo, porque não posso deixar a minha casa fechada. Tenho medo deles voltarem”, conta a dona de casa Silvia Prado, que mora há mais de cinco anos próximo à praça esportiva. Há cerca de um ano ela e a empregada foram rendidas por assaltantes menores de idade, que ficavam no mocó.

”Chamei a empregada para pegar água para um deles que havia me pedido. Não houve tempo de esboçar nenhuma reação. Colocaram a arma na nossa cabeça, nos amendrontaram por horas e ainda ironizaram dizendo que do mocó já estavam vigiando a nossa casa por semanas”, relatou Silvia.

O aumento da violência no local também preocupa o segurança do centro de convivência da família, Mário Ribeiro, que trabalha bem ao lado da praça esportiva. ”Não temos sossego. Há algum tempo entraram aqui no período de troca dos seguranças e levaram um rádio e outros objetos. A gente sabe que é tudo molecadinha que fica usando droga ali e ninguém faz nada”, reclama Ribeiro.

Roupas, sapatos, seringas, camisinhas, papéis queimados, latinhas de cerveja e muitos cigarros, além dos estragos em alguns pontos do alambrado evidenciam a presença de pessoas que, possivelmente, passam a noite no local. A situação deixa apreensiva a família do aposentado Arcebíades Soares de Lara.

”Aqui era bem cuidado, nós podíamos trazer a família e os amigos para a confraternização; agora virou essa ‘coisa’ inacabada, com mau cheiro, que traz muito mais dor de cabeça do que lazer. E eles ainda têm coragem de dizer que a obra beneficiou as 1.250 famílias do bairro. Que benefício é esse?”, questiona indignado Lara, que há mais de 20 anos é morador do bairro. Ele se refere à placa com informações sobre a obra e seus benefícios, instalada no local.

”A gente não pode nem deixar o meu sobrinho de oito anos brincar tranquilo no campo de futebol, porque não sabemos o que pode acontecer”, acrescenta a esposa de Arcebíades, Maria de Fátima.

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