Sete meses após o trágico acidente com um trem que vitimou duas meninas em Cambé (Norte), um adolescente de 15 anos sofreu vários ferimentos ao cair de um vagão em movimento no último dia 12. Segundo a mãe do rapaz, ele teria cruzado os vagões para pegar um ônibus do outro lado da rua, quando o trem entrou começou a andar. Ele teve várias fraturas nas pernas.

Ainda que esse comportamento seja errado, muitas pessoas, inclusive crianças, se arriscam entre as linhas de trem, e até mesmo entre os vagões, por falta de locais apropriados para a travessia. Diante da pressão e mobilização de moradores, o projeto de uma trincheira começou a sair do papel ainda no ano passado, mas não ficarão prontas no prazo previsto.

Resultado de um convênio entre governo do Estado e prefeitura, as obras da trincheira – espécie de ponte onde os carros passarão por baixo da linha -, que começaram em dezembro passado, ficaram paradas por mais de um mês. O trabalho foi retomado há poucas semanas. Segundo o gerente de Obras do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Aurélio Fortes Neto, o atraso foi causado pela necessidade de uma ‘variante’, desvio da linha para que o trem continuasse passando concomitante às obras.

”No projeto inicial da trincheira, a ALL (empresa que possui a concessão federal das linhas) não mencionou ou sequer levantou a necessidade desse desvio. Com isso, não tínhamos como continuar com o trabalho. Com esforços e recursos a mais da prefeitura e DER, cerca de R$ 86 mil, terminamos essa fase”, garantiu. Inicialmente, o prazo para término das obras era setembro. ”Porém, com o atraso, devem ficar prontas até final de novembro.”

Nada mudou

Enquanto a trincheira não fica pronta, pouco ou quase nada mudou. A reportagem esteve no local durante o horário de saída de alunos de uma escola, que fica a menos de 200 metros da linha, e constatou que muitos pais e crianças continuam cruzando a linha, com ou sem vagões. Isso porque os trens também continuam parando em horários de grande fluxo de gente no trecho que corta a cidade.

”Ainda vejo muita gente cruzando”, conta uma menina de 12 anos, que estuda num colégio próximo da linha. Ela revela que também tinha esse costume, mas depois do acidente com as meninas, resolveu tomar mais cuidado.

Outra estudante de 13 anos também diz que tem medo, e confessa que já pulou o trem algumas vezes. ”Agora não faço mais, mas vejo muita gente pulando, principalmente onde não tem o segurança. O trem fica parado muito tempo, e isso atrapalha.”

O comerciante Moacir Carocia, que tem um bar em frente à linha, tira fotos regularmente para mostrar o andamento das obras. ”As pessoas abusam, mas ficam sem opção, pois não existe nenhuma passarela. Fico com o coração na mão de ver mães com crianças e até mesmo elas sozinhas se arriscando.”

Fonte: Folha de Londrina

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