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Maio é o mês de discutir questões referentes ao trânsito no mundo todo, desde que foi instituída a campanha Maio Amarelo pela ONU em 2011. Quando discutimos mobilidade urbana em nossa cidade, percebemos que usar a bicicleta como meio de transporte ainda não é um atividade habitual do londrinense. Apesar das ciclovias e ciclofaixas disponíveis na cidade, poucos as utilizam rotineiramente, seja para ir à escola, ao trabalho ou para realizar qualquer atividade diária. Faltam políticas públicas focadas em promover a bicicleta como meio de locomoção, além de lazer e recreação. Esses foram as conclusões de pesquisas feitas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), nos últimos 4 anos.

“Desde 2015, temos feito pesquisas sobre o assunto e já temos algumas percepções sobre o uso da bicicleta. Em um dos estudos, procuramos entender como o ciclismo era tratado em Londrina e nos outros 25 municípios da região, de pequeno e médio porte. Chegamos à conclusão que a maioria das ações do poder público é focada em promover as bicicletas como lazer. A maior parte das ciclovias de Londrina, por exemplo, estão em áreas consideradas de lazer e esporte como o Lago Igapó, Aminthas de Barros, na região da avenida Ayrton Senna e assim por diante. A exceção são as ciclofaixas no centro da cidade”, pontua o professor adjunto do Departamento de Construção Civil da UEL e autor da pesquisa, Carlos Alberto Prado da Silva Junior.

Nos 25 municípios pesquisados, foram averiguados 31 indicadores que poderiam atestar o efetivo uso da bicicleta, sendo que Londrina apresentou apenas dois. O primeiro é possuir o sistema de aluguel de bicicletas e o segundo é ter realizado uma pesquisa de demanda de viagens com o veículo. “Todos os materiais que encontramos sobre o uso da bicicleta a relacionavam com sorteio, passeio ciclístico, mas não como meio de transporte”, completa o docente.

Em 2017, Mariana Grade Ricieri, aluna de graduação do curso de Engenharia Civil à época, publicou uma pesquisa sobre a percepção dos londrinenses em relação ao uso da bicicleta como meio de transporte. O estudo, que está disponível na Revista Eletrônica de Engenharia Civil, entrevistou pessoas no Calçadão de Londrina: 75% dos respondentes tinham entre 18 e 55 anos e a maioria (80%) ganhava de 1 a 5 salários mínimos.

“A maior parte dos entrevistados usava carro, ônibus e caminhada como meio de transporte; 73% dos entrevistados eram donos de automóveis e 31% possuíam bicicleta. Os donos de bikes declararam que o uso do veículo era destinado à prática de pequenos passeios aos fins de semana, feriados e esportes no início da manhã, final da tarde e parte da noite. Afirmaram que usam a bicicleta para a atividade porque percebem que esta é a função dela na cidade de Londrina”, explica o professor de Engenharia Civil Silva Junior.

Diante dos resultados, o docente analisa que Londrina tem potencial para implantação da bicicleta como meio de locomoção, mas reforça a necessidade de políticas públicas consolidadas. “As cidades que conseguiram implementar as bicicletas como meio de transporte investiram em infraestrutura, educação do condutor do veículo e ciclista e uso da bike para chegar a destinos desejados, não só como recreação”, diz.

Quais são os problemas das ciclovias de Londrina?

 “Em 2018, fizemos um estudo sobre isso, que ainda está em publicação, mas constatamos que há rampas muito elevadas”, revela o professor. Um exemplo é na Avenida Ayrton Senna, na zona sul de Londrina. “É uma via gostosa de descer pedalando e caminhando, mas a subida de bicicleta é sofrível. A pessoa precisar ter um bom preparo físico para isso”, comenta.

Segundo o professor da UEL, as ciclofaixas e ciclovias atendem aos requisitos mínimos exigidos pelas legislações, mas faltam informações básicas de origem e destino. “Além do mapa que deve mostrar até onde aquele ciclovia vai levar o usuário, percebo que faltam bicicletários e paraciclos. Sou ciclista e, quando utilizo a bicicleta para alguma atividade rotineira como ir à farmácia, dificilmente encontro esses equipamentos. A Prefeitura e os outros órgãos públicos poderiam incentivar os donos de estabelecimentos a implantarem bicicletários, incentivando assim o uso como meio de locomoção”, sugere.

O que diz o IPPUL

 O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) elaborou uma proposta ampla de rede cicloviária interconectada para o município, contemplando 318,8 km de ciclovias e ciclofaixas. Atualmente, a cidade conta com 39 km de ciclovias, sendo que 2 estão em fase de execução, na Avenida Saul Elkind, zona norte.

De acordo com a Engenheira Civil Cristiane Bizzono Dutra, Gerente de Trânsito do IPPUL, o enfoque principal da rede de movimentação de ciclistas é destinado a trabalhadores. Essa é uma exigência prevista na legislação federal no Programa Cidade Brasil.

“Nossas ciclovias estão localizadas em vias de maior circulação. Queremos ampliar essa rede e já estamos com projetos em andamento. A ciclovia que está sendo construída na Saul Elkind foi resultado de uma pesquisa que diagnosticou uma das regiões da cidade com maior circulação de trabalhadores”, comenta. A pesquisa do Plano de Mobilidade Urbana, que está em fase de conclusão, deve formar um ranking dos lugares com maior necessidade. “O projeto Superbus contempla a construção de 10 km de ciclovias, permeando os eixos do transporte coletivo público, a fim de que o usuário possa fazer parte do seu caminho com bicicleta. Nas reformas previstas neste projeto, há a construção de bicicletários e paraciclos”, acrescenta Cristiane.

A gerente de trânsito do IPPUL admite que a rede cicloviária de Londrina ainda não traz interconectividade de trechos. As campanhas da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), segundo ela, são focadas em promover maior segurança no trânsito, tendo em vista o alto índice de acidentes entre motos e pedestres, principalmente. Apesar disso, a construção de ciclovias, ciclorotas e paraciclos é uma exigência para grandes empreendimentos se instalarem na cidade. “Quando fazemos o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) impomos essas medidas, como aconteceu nas avenidas Europa e Dez de Dezembro, que receberam ciclovias na contrapartida da construção de universidades.”

 Caderno Técnico

O Crea-PR publicou um caderno técnico sobre Mobilidade Urbana que pode ser baixado diretamente no site, acessando o linkhttps://www.crea-pr.org.br/ws/wp-content/uploads/2016/12/mobilidade-urbana.pdf. A publicação tem o objetivo de auxiliar a sociedade e contribuir com temas importantes que estejam relacionados com as áreas de Engenharias, devidamente regulamentadas pelo Conselho.

Para a construção de ciclovias, é exigida a presença de um profissional de Engenharia capacitado e responsável pelo projeto e execução da obra, que deve atender às normas brasileiras em vigor, como a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Código de Trânsito Brasileiro (CTB), os Manuais Brasileiros de Sinalização de Trânsito publicados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o Plano de Mobilidade por Bicicletas, do Ministério das Cidades, a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e os Manuais do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre.

Na opinião do gerente da regional Londrina do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), a ampliação da malha cicloviária certamente impulsionará o número de pessoas que substituirão os veículos por bicicletas. “É importante destacar que tanto o projeto quanto a execução de ciclovias são atividades técnicas especializadas que requerem a participação de profissionais habilitados”, destaca.

Sobre o Crea-PR

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), autarquia que este  ano comemora 85 anos, é responsável pela regulamentação e fiscalização da atuação de profissionais e empresas das áreas da Engenharias, Agronomias e Geociências. Além de regulamentar e fiscalizar, o Crea-PR também promove ações de atualização e valorização profissional por meio de termos de fomentos disponibilizados via Editais de Chamamento

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