normal_Silvio_Barbon_CCE__DP020614_16Há dois anos, o professor Sylvio Barbon Junior, do Departamento de Computação (CCE), da Universidade Estadual de Londrina, defendeu seu doutorado no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, com pesquisa sobre o uso da tecnologia para detectar possíveis patologias nas cordas vocais. Atualmente, ele desenvolve na UEL pesquisas semelhantes com estudantes de graduação e pós-graduação do curso de Ciência da Computação.

Graduado em Ciência da Computação e em Engenharia da Computação e com doutorado em Física Computacional, Sylvio Barbon é coordenador do projeto de Iniciação Científica “Detecção de patologias nas cordas vocais por meio dos padrões acústicos”, que tem como objetivo buscar melhorias no processo de diagnóstico de patologias que acometem as pregas vocais. “Nossa intenção não é substituir o profissional da área médica, mas expandir o alcance de avaliações que proporcionem maior velocidade e conforto ao paciente”, esclarece o pesquisador.

O professor destaca que a pesquisa está na fase de desenvolvimento de um protótipo de aplicativo que possibilita detectar alterações na voz. “Por enquanto não podemos falar em diagnóstico, pois isso só o médico pode fazer, além de exigir padrões éticos que precisam ser seguidos. A finalidade da pesquisa é criar um aplicativo que, no futuro, possa ser usado como uma ferramenta de apoio para um pré-diagnóstico sobre a qualidade da voz”, explica Sylvio Barbon.

Segundo ele, o objetivo é que este software possa ser utilizado, por exemplo, por um professor em uma escola para detectar uma possível patologia na voz de um aluno e orientá-lo a procura um fonoaudiólogo ou um otorrino. “Essa é a grande vantagem deste aplicativo. Ele pode ser aplicado à distância e por professores, assistentes sociais ou qualquer outro profissional em escolas, casas de repouso e até em uma tribo indígena”, destaca.

O professor ressalta que o desafio da pesquisa é o desenvolvimento de um aplicativo que seja de fácil utilização. “É preciso preencher um questionário com os dados da pessoa e gravar a voz dela usando a vogal “A” que é mais indicada para detectar a qualidade das cordas vocais dentro de parâmetros acústicos e não acústicos porque o som desta vogal é produzido na laringe. E o aplicativo fornece uma escala de números que indica possíveis alterações na voz, considerando a idade, o sexo, o peso e os hábitos da pessoa que está sendo avaliada com 98% de acertos”, esclarece o pesquisador.

Ele observa que o grande desafio ainda são as interferências ambientais porque ruídos como de chuva, carros, ventos, entre outros, dificultam a análise da qualidade da voz gravada em ambientes não acústicos. “Só é possível fazer essa triagem em locais mais controlados acusticamente e na maioria dos casos é preciso fazer de duas a três aquisições da voz para termos uma gravação mais limpa. Esses são desafios que ainda precisam ser superados para que possamos fazer uma triagem mais próxima do real”, ressalta.

Por enquanto, segundo o pesquisador, está sendo utilizado um algoritmo mais básico que avalia se a frequência da voz está adequada e dentro da normalidade. “Entretanto, para detectar com precisão uma patologia é preciso utilizar outros algoritmos mais complexos que ainda não foram implementados nesta pesquisa. Outra questão que precisa ser ressaltada é que não estamos utilizando seres humanos na pesquisa porque para isso seria necessário passar pelo Comitê de Ética e obedecer padrões de sigilo exigidos neste caso. Para o desenvolvimento do software que pretendemos registrar até o final deste ano, estamos usando um banco de vozes da USP de Ribeirão Preto (SP)”, informa o professor.

Ele destaca que a pesquisa traz duas grandes vantagens: primeiro, é possível aumentar a velocidade de avaliação da voz do indivíduo, fornecendo uma ferramenta de apoio ao médico. A segunda é que, no futuro, poderá evitar exames invasivos que são caros e demorados. A pesquisa conta com participação de três estudantes bolsistas do curso de Ciência da Computação: Gabriel Marques Tavares, Guilherme Raul Pereira e Matheus Camilo da Silva.

MENTAIS – Dentro desta linha pesquisa sobre o uso da computação como apoio à saúde, o professor Sylvio Barbon desenvolve outros estudos como “Solução para aquisição de armazenamento de voz para diagnosticar doenças mentais”, com recursos do SUS no valor de R$ 48 mil reais. “Por meio da voz é possível detectar possíveis doenças mentais como ansiedade, depressão e síndrome do pânico. Ainda estamos na fase computacional, mas quando entrarmos na etapa de pré-diagnóstico vamos precisar de parcerias com psicólogos e psiquiatras, além de submeter a pesquisa ao Comitê de Ética da UEL”, explica o professor.

Segundo ele, por enquanto, o estudo conta com o apoio do médico André Armani, do Departamento de Clínica Cirúrgica, do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e a participação da estudante de Ciência da Computação, Estefânia Fuzzyi.

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