Do Jornal Nossa Cidade:
01717Pessoas de diferentes gerações se encontram na internet e relembram episódios e situações da cidade através de fotografias e comentários.

Walter Ogama

Era para ser apenas uma forma de reforçar o contato com os amigos de tempos. Mas com fotos antigas e frases descompromissadas, brincalhonas e diretas, típicas das redes sociais, o objetivo de estreitar laços, porém, ganhou dimensão em curto período.

Criado no último 1º de agosto, o grupo “Do fundo do baú”, de Cambé, reúne em pouco mais de duas semanas cerca de mil membros. Centenas de fotografias postadas contam, do jeito instantâneo oferecido pela tela do computador, epsódios interessantes. Obras, pessoas e situações aparecem aos olhos dos internautas a partir da iniciativa de um dos membros e recebem comentários que reforçam as informações descritas.

Das salas de bate-papo de antigamente ao messenger recentemente abolido os avanços foram consideráveis e promissores. Mas as redes sociais, como tudo que é novo, se por parte dos jovens receberam acolhida irrestrita sofreram preconceitos dos mais velhos. Foi assim com o Facebook, hospedeiro do grupo “Do fundo do baú”, que reúne gerações diferentes, porém poucas pessoas da juventude de agora.

Osvaldo Leite da Costa, um dos criadores do grupo, completa 58 anos de idade no próximo dia 19. Bardola, apelido que traz desde a infância, participou recentemente do encontro dos ex-integrantes da Juventude Católica e do Movimento Jovem de Cambé (Juca/Mojoca), e diz que não esperava tamanha resposta dos cambeenses à sua iniciativa.

“O apelido é coisa de brincadeira de moleque. Eu coloquei apelido num colega e ele tentou de tudo para me apelidar. Só pegou quando usou a combinação de como me chamavam em casa, Vardo, com um complemento, pois algumas pessoas entendiam como Bardo”. Osvaldo tem duas irmãs e é filho de seu Darci leite e de dona Lázara de Souza, ambos procedentes de Minas Gerais. Bardola nasceu em Cambé e só se afastou da cidade por curtos períodos devido à atividades profissionais.

Como não dispunha de fotos antigas de Cambé, Osvaldo postou após criar o grupo fotografias de Londrina: a primeira fanfarra da cidade, a inauguração das Casas Pernambucanas, aspectos da Catedral Metropolitana entre outras. O que recebeu em seguida, após adicionar membros ao grupo, foi uma sequência de registros fotográficos de Cambé.

Casamentos, aniversários, blocos carnavalescos, passeios e reuniões familiares estão postados. As antigas fotografias tiradas nas escolas, com o aluno ao lado do globo terrestre, são constantes. Os times de futebol de anos atrás também ganham espaço. Famílias pioneiras posam em postagens feitas por parentes.

O prédio onde funcionava o Cine Universo é lembrado com saudades. Mexe também com a nostalgia as obras de construção do Harmonia Tênis Clube, a caixa d’água quadrada com os antigos caminhões-tanque à espera da vez para serem abastecidos, a Praça da Igreja Matriz antes da construção do Centro de Eventos, a construção em madeira da primeira igreja de Cambé e a Casa Paranaense, com Fuscas e outros modelos de carros do passado estacionados em frente.

Um balcão mostra a antiga frasqueira de balas da Casa Catarino, na Avenida Inglaterra. As repartições ofereciam sabores e marcas diferentes, inclusive daqueles com formato de homenzinhos que as crianças da época chamavam de “hominhos”.

Uma fanfarra mista atravessa a avenida com seus integrantes uniformizados: camisas ou blusas brancas, gravatas, saias ou calções escuros, cabelos dos meninos aparados e sapatos sociais. Entre os cabelos soltos das meninas, uma delas, tocando repique, ostenta um belo penteado segurado com laquê. Cartazes lembram os festivais da canção que eram realizados. Uma equipe esportiva espera o trem para viajar a outra cidade disputar um campeonato.

Curiosos cercam a pequena aeronava que lá pelos anos de 1950 pousou em área perto do atual estádio municipal. Um grupo de escolares é fotografado em frente da escola de madeira. Era o tempo do guarda-pó branco, uniforme obrigatório com dois bolsos na frente e fechados quase até o pescoço. A 1ª Colher de Chá, um concerto de rock inédito na região, aparece em reproduções de cartaz.

Um zagueiro do Cambé Atlético Clube posa diante da câmera fotográfica estiloso, como no passado, em fotografia postada pela filha. Um marido apaixonado exibe o retrato da mulher, quando ela ainda era uma estudante. A formatura de uma das turmas do antigo magistério exibe mocinhas com saias plissadas pouco acima dos joelhos. E os times de futebol se mostram, cada um com sua história de conquistas.

É a história de Cambé recontada de um jeito espontâneo, como no painel fotográfico que mostra as várias fases da obra de construção da Paróquia Santo Antônio. Quatro rapazes de cabelos rentes e calças de pregas se colocam disciplinadamente na frente do fotógrafo. A filha que postou a imagem comenta: “Meu pai é o sentado, lindo demais”. O passado, ali, emociona.

Ex-fera do rádio exercita a memória como membro do grupo do Fundo do Baú

Nhô Vardo trocou definitivamente a voz pelas mãos. Na verdade, as duas formas de comunicação carecem de cabeça e isso ele prova que tem, principalmente quando o assunto tratado requer memória boa.

Cambeense sempre presente nas redes sociais, com participação no grupo da Juventude Católica e Movimento Jovem de Cambé (Juca/Mojoca), ele tornou-se assíduo no grupo Do fundo do baú e consolidou um complemento específico para as recordações do esporte.

Atualmente trabalha em estabelecimento de ensino na função de agente educacional, embora formado em pedagogia. Diz que raramente escuta rádio hoje em dia, mas no passado foi muito bem ouvido.

Nhô Vardo é o cidadão Vadir Campanerut, 68 anos de idade. “Comecei no rádio lá pelo ano de 1960, como sonoplasta, conhecido na época como vira-discos”. O primeiro emprego na área foi na Rádio Emissora de Cambé, ZYS 36, frequência 730 kilociclos. Sim, naquele tempo não era ainda kilohertz.

A emissora, que a princípio pertenceu, segundo Vadir, a Antônio Gasparini, Oswaldo Garcia e Ernesto Guasti, que teriam fundado a rádio, fazia parte do Grupo Guairacá, que dispunha de unidades em Curitiba, Wenceslau Braz, Mandaguari e outras cidades do Estado. Foi posteriormente adquirida por Moisés Lupion, que com o passar dos anos foi vendendo as rádios.

“A de Cambé, quando entrei, tinha como gerente o advogado Edumar Pires, que depois virou juiz. Em seguida veio como gerente um fiscal de rendas, o José Luprido Brunato”, conta Vadir. A Rádio Emissora de Cambé funcionava na esquina da Rua França logo abaixo do atual Centro de Eventos, onde hoje existe um restaurante. A linha de transmissão da época era com dois fios que seguiam pelos postes de luz até a antena instalada em terreno abaixo do Cemitério Municipal Pe. Symphoriano Kopf. Portanto, quando chovia ou ventava forte a rádio ficava fora do ar. A linha foi instalada por Francisco Panissa, que também fazia a manutenção.

O convite para trabalhar na emissora foi feito por José Antônio Fregonesi quando Vadir tinha 16 anos de idade. “Ele ia sair da rádio e me convidou para entrar no lugar dele”. Com certo tempo na função de sonoplasta, Vadir passou a ser insistente: queria falar. Certo dia recebeu o consentimento de um coordenador.

Havia uma caixinha com os textos comerciais e caiu na hora de Vadir falar o do tecido Nycron, que fazia trajes que não amarrotavam. Saiu tudo certinho no ar, exceto a palavra “amarrota”, que foi ouvida claramente por quem estava sintonizado como “amarreta”. Por sorte o coordenador estava bem humorado e deu chance para Vadir entrar no próximo anúncio.

Desde aquela experiência ele passou a exercer as duas funções: sonoplastia e locução. “Naquele tempo a gente redigia as notícias da cidades. Os acontecimentos de fora a gente usava dos jornais. Fazíamos também rádio-escuta para redigir o noticiário”.

Vadir também passou a apresentar um programa de músicas para a juventude e à noite apresentava o programa Peça Bis. Mas nunca havia trabalhado com o público que ouvia programas sertanejos, até que o apresentador do Alma Sertaneja, patrocinado pela Casa Rádio Televisão, o convidou para eventuais necessidades. “O Nhô Jiló apresentava o Alma Sertaneja e fazia parte de uma dupla de músicos. Às vezes ele tinha shows e eu ficava no lugar dele, como Nhô Vardo”.

Certa vez Nhô Jiló foi fazer um show com o seu parceiro de dupla na zona rural de Cambé. Lá sofreu um infarto e faleceu. O Alma Sertaneja passou, então, a ser apresentado oficialmente por Nhô Vardo. “Naquela época o jeito de apresentar um programa sertanejo era bem característico. O locutor falava como um sertanejo”.

Apesar da baixa potência, a Rádio Emissora de Cambé tinha boa frequência e não sofria interferência. Por isso atingia Maringá e parte do Estado de São Paulo, pelas bandas do município de Presidente Prudente. “A rádio tinha ouvintes, pois era o meio de comunicação da época, embora a televisão estivesse crescendo”, diz.

A emissora fechou em 1974 e Vadir foi trabalhar em outras bandas, com atividades diferentes. Retornou ao rádio fazendo parceria com Ageu Soares, no programa Show da Estrada, na antiga Rádio Metropolitana. O programa era feito no Posto Portelão e passou a ser gerado pela Rádio Alvorada de Londrina, onde Vadir recebeu também o convite para ser noticiarista.

“Antes de eu começar na rádio grandes profissionais já tinham experiência. Entre eles Caetano Cestari Neto, Nair de Araújo, Anézia Capelossi, Izaura Loni, Haroldo Romano, Dr. Miguel Hadad, Jacson Prasoni, Wanderley de Freitas e Professor Reinaldo Mathias Ferreira, entre outros”.

Protestos, negócios e amizades ajuntam a turma

Vários grupos de Cambé reúnem virtualmente pessoas da cidade para amizades, negócios, religião e até manifestações. Um deles é o Cidadania em Ação Por amor a Cambé, que se apresenta como Movimento Popular Contra a Corrupção. Outro ligado às ações de cidadania é o Protesta Cambé, cujos membros participaram recentemente das manifestações por melhorias no transporte coletivo urbano e metropolitano e atualmente estão mobilizados em torno das condições de atendimento de saúde na Unidade 24 Horas, da região do Castelo Branco, e da UPA 24 Horas, que será inaugurada esta sexta-feira no Jardim Tupi.

As mulheres de Cambé tem um ponto de encontro virtual, através do Facebook, no grupo Reencontro de Amigas – Cambé-Pr, com 167 membros. De acordo com as administradoras do grupo, que é fechado, as participantes devem ter o seguinte perfil: ter estudado em escolas e colégios de Cambé no período de 1955 a 1985; tenham participado de grupos de esporte no mesmo período; tenham participado de alguma forma da infância, da adolescência e da juventude de todos os membros. Segundo uma das participantes, a intenção é de realizar até o fim do ano um encontro pessoal dos seus membros.

FICHA TÉCNICA O Projeto SEMPRE CAMBÉ é uma iniciativa do Jornal Nossa Cidade. São responsáveis pelo seu desenvolvimento os jornalistas Walter Ogama (pesquisas, entrevistas e redação) e Walter Ricieri (direção e edição). As reportagens são publicadas nas páginas centrais do Jornal Nossa Cidade. A cada série encerrada de temas tratados nas reportagens será publicado um caderno especial.

A Podologia Cambé esta instalada no Centro Comercial Canadá Localizado na Rua Holanda, 263 esquina com a Av Canada, Sala 311 no centro de Cambé, telefone: (43) 3254-7433 e WhatsApp: (43) 9.9918-7889
A Podologia Cambé esta instalada no Centro Comercial Canadá Localizado na Rua Holanda, 263 esquina com a Av Canada, Sala 311 no centro de Cambé, telefone: (43) 3254-7433 e WhatsApp: (43) 9.9918-7889

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.