Falar mais e ter que ouvir menos! É assim que as mulheres participantes do Grupo de Gestantes da Unidade Básica de Saúde do Jardim Santo Amaro, em Cambé, derrubam barreiras e estabelecem uma nova relação com os profissionais de saúde com quem interagem. Mais do que isso: mudanças importantes também acontecem na equipe que trabalha na unidade.
A causa desse avanço na relação entre as pacientes e as pessoas que as atendem é o próprio Grupo de Gestantes, coordenado pela enfermeira Arlete Cristina da Silva Rodrigues, e pela auxiliar de enfermagem Ana Maria Martins Silva. Ambas incluíram entre as atividades a terapia comunitária, que definem: “É o espaço para as pessoas falarem de suas angústias, tristezas e sim, também alegrias”.
Arlete e Ana Maria contam que criaram a terapia comunitária por perceberem que as gestantes precisavam não só ouvir sobre como é o parto, a amamentação, os sintomas da gestação e outras informações e orientações de saúde. “Elas necessitam também falar de seus sentimentos. Enfim, colocar o que sentem para fora”. A auxiliar de enfermagem e a enfermeira ilustram essa necessidade com um pensamento: “O que eu guardo azeda; o que azeda estraga; o que estraga estoura; o que estoura fede”.
A falta de por para fora o que sente, argumentam as profissionais, podem levar a pessoa a uma situação de tristeza, angústia e depressão que prejudica a gestação. “Às vezes a gestante está triste por causa de uma gravidez indesejada ou um problema ligado ao emprego, à família ou de outra origem”.
O Grupo de Gestantes tem atualmente a participação de 21 mulheres. As reuniões ocorrem uma vez por mês, sempre na segunda quarta-feira, com início às 14 horas. O endereço é Rua São Francisco, 550, Jardim Santo Amaro. O telefone para informação é 3174-0232. A Unidade Básica de Saúde tem abrangência na seguintes localidades, além do próprio Santo Amaro: Jardim União, Jardim Santo André, Conjunto Castelo Branco e Parque Manella.
O Grupo de Gestantes, segundo Arlete e Ana Maria, é bastante diversificado: “Trabalhamos os assuntos de forma que todas as participantes possam assimilar”. A humanização proposta é alcançada com diferentes dinâmicas, inclusive a música.
Os resultados, afirmam a enfermeira e a auxiliar de enfermagem, são percebidos com facilidade: “A auto-estima delas melhora e as gestantes se relacionam entre si e uma acaba apoiando a outra. Elas também aderem com mais espontaneidade ao pré-natal, principalmente porque passam a confiar mais na equipe da Unidade Básica de Saúde. Tornam-se também mais receptivas em relação às recomendações dos profissionais”.
Outro efeito positivo se verifica na conduta dos profissionais que atuam na Unidade de Saúde. A interação com as pacientes torna o pessoal mais humano, conforme ambas resumem. Se para as gestantes a receita para uma relação saudável com a equipe de saúde é falar mais e ouvir menos, para Arlete e Ana Maria, junto com os demais profissionais do Santo Amaro, o diálogo produtivo e duradouro se faz com uma postura: ouvir mais e falar menos.

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