Foto: Fábio Ciquini

Foto: Fábio CiquiniHá 18 anos que o dia 25 de dezembro não é mais o mesmo para Lorival Batista dos Santos, 61 anos. Casado pela segunda vez, pai de dois filhos, com dois netos, o eletricista industrial, conhecido como Baiano, dá um toque pra lá de especial ao Natal em Cambé (Norte). Ele se transforma em um simpático Papai Noel, que arranca sorrisos e faz os olhos não só das crianças brilharem. Devidamente caracterizado, com barbas longas e brancas – que deixa crescer especialmente para a data – e um saco de presentes nas costas, Baiano sai de casa cedo no dia de Natal e percorre 18 bairros de Cambé, distribuindo brinquedos, doces e alegria. Este ano, ele vai entregar 1,7 mil presentes.

”Tudo começou quando fui entregar uma cesta básica para uma família carente. Levamos doces para as crianças da casa, mas muitas outras pediram. Não tinha para todas. Fiquei comovido e pensando o que poderia fazer. Foi aí que surgiu a ideia de me vestir de Papai Noel e distribuir doces nas ruas”, conta Baiano.

A distribuição de brinquedos começou há três anos, quando ele se aposentou. ”Na ocasião, comprei 500 brinquedos e com a ajuda de amigos arrecadei mais 500”, lembra, ressaltando que a colaboração da comunidade é fundamental. Hoje cerca de 180 pessoas se dispõem a ajudar Baiano. Ontem à tarde, a reportagem da FOLHA acompanhou Baiano pelas ruas de Cambé e também durante uma visita à Santa Casa.

Durante sua trajetória como Papai Noel, Baiano fez muitos amigos e se tornou uma pessoa conhecida na cidade. Por onde passa, os adultos acenam e as crianças correm ao seu encontro. Nesses 18 anos, diversos momentos foram marcantes. Baiano se emociona durante a entrevista e, mais de uma vez, não consegue conter as lágrimas. ”Tem uma moça paraplégica que eu chamo de minha princesa. Hoje ela é adulta, mas eu a visito desde que ela tinha três anos. Ela me espera todo Natal e quando eu chego ela demonstra uma grande felicidade. Não tem como não me envolver”, relata.

Outra situação marcante, segundo ele, foi quando a mãe de um menino de quatro anos que estava com leucemia o procurou dizendo que o filho queria receber a visita de um Papai Noel de verdade. ”Quando entrei na casa, o garoto correu em minha direção e me abraçou forte. Demorou para me soltar. Ele ficou encantado de receber a visita do bom velhinho. Foi muito gratificante”, recorda. ”Há idosos que também se emocionam ao me ver. Muitos já chegaram a chorar.”

Para Baiano, o verdadeiro sentido do Natal está nos pequenos gestos, que são capazes de fazer diferença na vida de alguém. ”Peço a Deus que me dê vida e saúde para fazer esse trabalho por mais muito tempo”, revela. Passando o Natal, Baiano faz a barba e – com orgulho – guarda as três roupas que tem de Papai Noel. Apaixonado pelo o que faz, ele torce para o ano passar rápido para tirar as vestes do guarda roupa e mais uma vez incorporar o bom velhinho.

Matéria publicada na Floha de Londrina 24/12/2010
http://www.bonde.com.br/folha/folha.php?id_folha=2-1–8761-20101224

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