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No passado 1.º de maio, se assinalaram 25 anos sobre o falecimento de Ayrton Senna naquele infeliz Grande Prêmio de San Marino, de péssima memória para todos os brasileiros. Já no fim do mês foi a vez de falecer outro tricampeão: Niki Lauda, protagonista de um dos maiores retornos do esporte, não resistiu aos efeitos de diversas intervenções médicas e morreu aos 70 anos. Essa é uma ocasião para refletirmos sobre o estado atual do esporte automóvel em geral e da Fórmula 1 em particular.

Acumulação de decepções para o Brasil

Quando Ayrton Senna venceu seu terceiro título, em 1991, era o oitavo campeonato conquistado por um piloto brasileiro em 20 anos. Nessa época, só a Grã-Bretanha – a pátria do esporte – tinha mais títulos. Mas nos últimos 28 anos, o Brasil “desapareceu”, perdendo em especial para a Alemanha. Felipe Massa passou perto, mas o GP Brasil 2008 foi um golpe especialmente duro na fé do torcedor brasileiro. No momento, atual, o Brasil sequer tem um piloto correndo, e poucas perspectivas de voltar a ter no curto prazo.

Fórmula 1 em crise?

A própria categoria de esporte a motor está em crise, embora quem veja a guerra entre o Rio e S. Paulo para ter o Grande Prêmio do Brasil nem pense nisso. Os números de audiência estão diminuindo faz vários anos; a dominação da Mercedes pode ser uma razão, mas a própria forma como o esporte acontece nos dias de hoje – de forma muito previsível – também ajuda a tirar o interesse dos fãs. Finalmente, existem questões sérias sendo travadas nos bastidores em torno do dinheiro e da governação do negócio; vários fatores indicam que o esporte está gastando mais dinheiro do que deveria. Sem benefício para o torcedor, que não vê uma categoria mais emocionante em função dos milhões que estão sendo gastos.

Fórmula E e o avanço do século XXI

Além disso, o mundo está mudando e a tecnologia também. Durante anos existiram meros protótipos de veículos de competição elétricos. Depois, em 2014, surgiu uma competição “lentinha” e que muitos diziam ser pouco interessante: a Fórmula E – fórmula 1 dos carros elétricos.

Mas o fato é que a competição vem ganhando seu espaço. Não faltam construtores automóveis interessados em participar (ao contrário da Fórmula 1, onde nenhum construtor ousa sequer sonhar em se juntar aos existentes). Além disso, os pilotos que ali participam, mesmo se parecem ser de uma categoria inferior aos da F1 (ou pilotos aposentados ou que perderam seu espaço na categoria principal), estão ali somente por seu talento. O mesmo não pode ser dito de Lance Stroll, por exemplo, cujo pai comprou a equipe Force India (rebatizada como Racing Point) para o moleque correr nela, constituindo um exemplo novo de piloto de F1 que não pode ser despedido de sua equipe. Emerson Fittipaldi também não podia ser despedido de sua Copersucar, mas isso era porque ele tinha criado sua equipe, e não porque seu pai tinha comprado ela para ele.

E o fato é que pilotos brasileiros já venceram a Fórmula E por três vezes. Além disso, Lucas di Grassi está envolvido em um projeto de engenharia e tecnologia que é uma “afronta” para os puristas: corridas de carros autônomos, uma pura corrida de engenheiros.

Não será que o paulista está certo? Em uma época que muitos reclamam que a F1 é gerenciada por engenheiros e computadores, será que di Grassi está criando a “arena dos engenheiros”, para que a F1 ou a F-E sejam a arena dos pilotos? O futuro dirá.

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