O Estado de S. Paulo

Manchete: Valor da Petrobrás cai R$ 32 bi após intervenção de Bolsonaro
Ações da empresa caíram 8,5% depois que reajuste do diesel foi cancelado; mercado teme repetição da política petista
A Petrobrás perdeu ontem R$ 32 bilhões em valor de mercado depois de Bolsonaro mandar cancelar reajuste de 5,7% no preço do óleo diesel. A decisão repercutiu mal no mercado, que teme a volta de uma política intervencionista semelhante à adotada nos governos petistas, e as ações da empresa caíram 8,5%. “Liguei para o presidente (da Petrobrás), sim. Me surpreendi com o reajuste”, disse Bolsonaro. Ele, no entanto, negou ser “intervencionista”. A medida, aparentemente, pegou a equipe econômica de surpresa. “É uma interferência razoável”, afirmou em Washington o ministro da Economia, Paulo Guedes. A decisão é resultado da pressão dos caminhoneiros sobre o governo – a política de reajuste de preços da empresa foi um dos motivos que levaram à greve da categoria, no ano passado. Sem o reajuste, a Petrobrás perderá R$ 13 milhões por dia, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Uma reunião interministerial foi marcada para segunda-feira para tratar do assunto. (Economia / Págs. B1, B3 e B4)

Prédios erguidos por milícia desabam e matam no Rio
Pelo menos cinco pessoas morreram e dez ficaram feridas após o desabamento, na manhã de ontem, de dois prédios construídos irregularmente na Muzema, região da zona oeste do Rio dominada por milícia. No início da madrugada de hoje havia 13 desaparecidos. Os edifícios foram erguidos sem autorização, ao lado de encosta. A área era considerada de risco iminente de deslizamento e, três dias antes, foi castigada por um temporal que deixou dez mortos no município. As milícias são grupos paramilitares que têm ligações nas polícias e contam com a proteção de políticos. (Metrópole / Pág. A16)

Por temor de nova greve, governo cede a caminhoneiros
Por medo de uma nova paralisação dos caminhoneiros – ameaça detectada pela Abin –, o Planalto vem cedendo a outros pedidos da categoria. Além de recuar no reajuste do óleo diesel e de propor o aumento de 20 para 40 pontos no limite de infrações permitidas na CNH, o governo estuda também fazer mudanças no valor do frete, uma das principais reivindicações deles. “O presidente está do nosso lado”, afirmou ontem Wallace Landim, uma das lideranças dos caminhoneiros. (Economia / Pág. B3)

Presidente abre o Planalto para o ‘varejo’ parlamentar
Nas duas últimas semanas, Jair Bolsonaro recebeu 57 políticos, entre líderes partidários, deputados e senadores. Nesses encontros, o presidente fez acenos e atendeu a pedidos que fazem parte do varejo parlamentar. O objetivo é consolidar uma base para aprovar a reforma da Previdência. (Política / Pág. A4)

Palocci quer ser consultor de cursos a distância
Condenado na Lava Jato, o ex-ministro Antonio Palocci – desde novembro em prisão domiciliar – pediu autorização para trabalhar. Ele disse ter sido convidado para ser “assessor de planejamento” do Instituto Universal Brasileiro. (Política / Pág. A8)

‘Faca’ nos decretos
‘Revogaço’ cancelou pensão de viúva do autor de bandeira não adotada e outras medidas ‘pitorescas’. (Política / Pág. A6)

Anac proíbe Avianca de vender bilhetes aéreos (Economia / Pág. B)

NOTAS & INFORMAÇÕES
A invasão da Petrobrás
O presidente Jair Bolsonaro agiu como seus antecessores petistas, chocou o mercado, assustou investidores e derrubou as ações da companhia. (Pág. A3)

Importância da classe média
Cuidar bem da classe média transcende a classe média. É questão de justiça com todos. (Pág. A3)
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Folha de S. Paulo

Manchete: Bolsonaro dita o preço do diesel, e Petrobras cai R$32 bi na Bolsa
Após frear reajuste, presidente diz não entender de economia e cita preocupação com caminhoneiros
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) reconheceu ontem que orientou a Petrobras a suspender o aumento de 5,7% do óleo diesel nas refinarias, anunciado na quinta-feira (11). A estatal havia negado inicialmente a interferência do Planalto no recuo, que ocorreu sem consulta à equipe econômica.
“Não sou economista, já falei que não entendia de economia”, disse Bolsonaro, para justificar que precisa compreender a política de preços do setor — uma reunião foi convocada para terça (16). Ele afirmou estar preocupado com os caminhoneiros, que ameaçavam fazer uma nova paralisação.
A decisão intervencionista — em choque com a plataforma liberal do ministro Paulo Guedes (Economia) — causou apreensão e trouxe prejuízos à Petrobras, que perdeu R$ 32,4 bilhões em valor de mercado. As ações caíram 7,8%, maior queda percentual da companhia desde 1ºde junho de 2018. O governo minimizou a medida.
O vice, Hamilton Mourão, chamou-a de pontual e declarou que ingerências como as da gestão Dilma Rousseff (PT) nos combustíveis não serão repetidas. Onyx Lorenzoni (Casa Civil) pediu tempo para “enfrentar o monopólio” da Petrobras. (Mercado A19 a A21)

‘Exército não matou ninguém’, diz presidente
Seis dias depois do assassinato do músico Evaldo Rosa dos Santos, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou pela primeira vez sobre o caso. “O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo. Agente não pode acusar o povo de ser assassino não. Houve um incidente.” O presidente afirmou que o caso está sendo apurado com responsabilidade e que, no Exército, “não existe essa de jogar debaixo do tapete”. “Sob forte emoção, ocorrem erros dessa natureza. Isso aí está sendo investigado”, disse ontem o vice Hamilton Mourão. (Cotidiano B4)

Avianca cancela mais de 150 voos após perder aviões
A Agência Nacional de Aviação Civil cancelou as matrículas de 10 dos 35 aviões da frota da empresa. Foram suspensas ao menos 153 partidas previstas para até a próxima quarta-feira (17). A aérea afirma que oferecerá reembolso aos passageiros. (Mercado A26)

Congresso obtém aprovação de 22%, segundo Datafolha
Patamar registrado é o maior na comparação com 2007 e 2015, quando o instituto fez medição semelhante. A maioria, porém, ainda tem visão negativa de senadores e deputados: 41% julgam que sua atuação é regular, e 32% a classificam como ruim. (Poder A4)

Prédios desabam em área de milícia no Rio; 4 morrem
Dois prédios residenciais desabaram na manhã de ontem na comunidade da Muzema, bairro controlado por milícia na zona oeste do Rio. Ao menos quatro pessoas morreram, e dez estão feridas. Não há estimativa do número de desaparecidos. (Cotidiano B1)

Para mercado, este não foi o primeiro sinal de ingerência na estatal (Pág. A22)

Análise B. Boghossian
Liberalismo do presidente sempre foi miragem (Pág. A22)

Itaú revê crescimento de 2% para 1,3%; projeção para 2020 também cai A23

Editoriais
Ecos de Dilma
Sobre intervenção de Bolsonaro no preço do diesel.

Não se prende o insulto
Acerca de condenação do humorista Danilo Gentili.
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O Globo

Manchete: Prédios em área de milícia desabam, matando 5
Dois prédios do condomínio Figueira do Itanhangá, construído irregularmente em área de alto risco, desabaram na Favela da Muzema. Cinco pessoas morreram, ao menos sete estão feridas e há 13 desaparecidas. Bombeiros e ambulâncias tiveram dificuldades para chegar ao local, ainda com ruas alagadas e cheias de lama da chuva de segunda-feira. Dominada por milicianos, a Muzema teve boom imobiliário nos últimos dois anos. Embargado desde 2005, o condomínio mantém-se graças a decisões judiciais. (Páginas 12 a 14)

Após interferência do governo, Petrobras perde R$ 32 bilhões
Com temor de greve de caminhoneiros, Bolsonaro veta reajuste do diesel, e ações despencam na Bolsa
Após revogar, por determinação do presidente Jair Bolsonaro, o aumento no preço do diesel poucas horas depois do anúncio, na quinta, a Petrobras viu suas ações despencarem 8,76%, o que significou uma perda de R$ 32 bilhões em valor de mercado. O gesto foi visto por especialistas como uma intervenção na gestão da empresa. Bolsonaro disse que pediu a suspensão do reajuste por estar preocupado com os custos para os caminhoneiros e convocou reunião para que a direção da empresa justifique a medida. O presidente da Petrobras ficou sabendo da ordem a caminho do aeroporto, e o ministro da Economia não foi consultado. (Páginas 23 e 24)

Bolsonaro: ‘O Exército não matou ninguém’
Cinco dias depois da morte do músico Evaldo Rosa, que teve o carro fuzilado por militares em Guadalupe, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou sobre o caso, isentando a instituição. “O Exército não matou ninguém. Houve um incidente, uma morte”, disse Bolsonaro, em inauguração de aeroporto em Macapá (AM). “Vai aparecer o responsável”. (Página 21)

Um Rio de omissões
Como chegamos até aqui?
A sucessão de tragédias não deixa dúvidas: há algo de errado no Rio. Cariocas refletem sobre crise ética, incompetência administrativa e o peso do desprezo coletivo pelas leis. (Páginas 16 e 17)

Pesquisa Datafolha
Confiança na Presidência dispara, mas Forças Armadas lideram (Página 10)

Merval Pereira
Milícias estão cada vez mais poderosas (Página 2)

Fernando Gabeira
Tragédia é marco da necessidade de repensar o Rio (Página 17)
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