Depois de 15 anos de atividades, a UEL entrega definitivamente no próximo dia 31 de agosto, as instalações do Cine Com-Tour ao proprietário do imóvel, desativando a sala de projeções de filmes de arte. Equipamentos como projetor, tela e mobiliário, serão recolhidos na antiga sala de projeção do Teatro Ouro Verde até que se encontre uma alternativa para a realização de novas sessões. A decisão foi oficializada nesta quarta-feira (12) durante entrevista no próprio Com-Tour. A desativação foi definida de forma colegiada pela Administração da UEL, juntamente com a direção da Casa de Cultura e aval do Conselho de Administração (CA), considerando os impactos financeiros e sociais causados pelo Coronavírus. As sessões do Com-Tour foram suspensas em 13 de março.

Segundo o vice-reitor da UEL, professor Décio Sabbatini Barbosa, a desativação foi motivada pela queda de arrecadação da UEL, da ordem de 40%, somada ao fato de não existir uma perspectiva de retorno das atividades da sala de cinema. Em valores mensais, a Universidade dispendia em torno de R$ 10 mil com o pagamento do aluguel e do condomínio do shopping.

Vice-reitor da UEL, Décio Sabbatini Barbosa, faz anúncio em entrevista coletiva no Cine Com-Tour

Embora tenha sido possível negociar um desconto no valor da locação mensal, pesou na decisão a incerteza sobre o retorno das sessões. “Não temos perspectivas de que possamos voltar a exibir filmes esse ano e nem temos convicção de retorno no primeiro semestre de 2021”, comentou o vice-reitor. Ele ressaltou, no entanto, que apesar da desativação, a UEL prevê o retorno das atividades da Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura, com segurança e adequadas à situação financeira da Instituição.

Nas próximas semanas os equipamentos serão retirados e acomodados no Cine Teatro Universitário Ouro Verde. Segundo a diretora da Casa de Cultura, Maria Helena Ribeiro Bueno, com a entrega das instalações do Cine Com-Tour, a Orquestra Sinfônica da UEL (OSUEL) também deverá transferir os ensaios e apresentações para o Teatro Ouro Verde.

Ela informou que, mesmo com a negociação dos valores mensais de locação, as despesas ainda eram altas, frente à indefinição de retorno das projeções. A diretora explicou que os custos preveem o pagamento de 50% da renda das sessões para as distribuidoras. A manutenção, bilheteria, administração e projeção era toda bancada pela UEL, com servidores do quadro próprio. A UEL cobrava um ingresso no valor R$ 12 e R$ 6 (meia entrada). O objetivo era oferecer uma oportunidade para que todas as classes sociais tivessem acesso a filmes de arte.

Histórico – Nesses últimos 15 anos foram realizadas cerca de 800 sessões. Até 2013 o cinema funcionava com sessões diárias, que posteriormente passaram a ser concentradas nos finais de semana, lembra o servidor técnico administrativo da Casa de Cultura, Erasmo Cambuí. Para marcar a entrega do velho cinema, a Casa de Cultura realiza nesta quarta-feira (12), Dia Nacional das Artes, a partir das 19 horas, uma sessão simbólica de encerramento para três casais convidados, que representarão o público fiel da sala.

Durante a sessão, será produzido um vídeo com depoimentos e imagens do local para efeito de registro das atividades do Com-Tour. O filme em cartaz será bem adequado para uma sessão de despedida: Aqueles que ficaram. Drama de origem Hungria, de 2019, dirigido por Barnabás Toth, que narra a estória de uma nação de sobreviventes pós Segunda Guerra Mundial, uma que tenta se curar através do amor.

O diretor da Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura, Carlos Eduardo Lourenço Jorge, lembra que a proposta de oferecer cinema de arte remonta ao ano de 1978, quando o Ouro Verde foi incorporado ao patrimônio da UEL. A iniciativa de levar o cinema para o Com-Tour foi do próprio Carlos Eduardo, que negociou inicialmente a cessão gratuita do espaço à UEL. Na época o negócio foi feito diretamente com o proprietário do imóvel, o ex-senador Francisco Leite Chaves.

Carlos lembra que esta etapa do cinema no Com Tour se deve à dedicação de pessoas como próprio Leite Chaves, que entendeu a importância de um projeto de difusão do cinema de arte. Ainda de acordo com Carlos, posteriormente, em 2017, o casal Atsushi e Kimiko Yoshi, também demonstraram grande sensibilidade e doaram recursos para a compra do equipamento de multimídia utilizado até março passado e que permite transmitir os filmes com tecnologia Blue Ray.

Pedro Romeiro Etinger e Rafaella Whitaker estudam cinema no Rio de Janeiro: “Desativação encerra história do cinema local”.

Repercussão – A entrevista coletiva que anunciou o fim das projeções no Cine Com- Tour esta manhã atraiu um casal de estudantes de cinema, que, munidos de câmera aproveitaram para registrar os detalhes da sala. Pedro Romeiro Etinger e Rafaella Whitaker estudam cinema no Rio de Janeiro e estão passando parte desta quarentena em Londrina, cidade natal de Pedro.

Os dois contaram que se impressionaram com a arquitetura da sala. Luzes laterais, mobiliário e a capacidade para acomodar até 500 pessoas em uma única sessão. Segundo os dois, mesmo com a transferência dos equipamentos e a possibilidade de retomar o projeto, a desativação representa um capítulo que encerra na história do cinema local. O Cine Com-Tour foi inaugurado em outubro de 1973, com o filme O Destino do Poseidon, dirigido por Ronald Neame.

AGÊNCIA UEL

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