Humoristas fazem neste domingo passeata contra a lei eleitoral – Voto de detentos confunde TREs – Subida de tom no horário eleitoral – Pérolas em forma de jingle – Repasses refletem um “esforço concentrado” – Jeitinho para tocar obras – Reféns do horário eleitoral gratuito – Folha e UOL reúnem candidatos a vice – Centros sociais viram “currais” no Rio…

Folha de S. Paulo

Vantagem de Dilma faz Lula exigir ofensiva em SP

A pesquisa Datafolha que mostra Dilma Rousseff (PT) com 47% das intenções de voto contra 30% de José Serra (PSDB) permitirá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva se dedicar à campanha eleitoral em São Paulo -o maior temor dos tucanos.

Já na sexta à noite, em discurso em Osasco, Lula anunciou que sua prioridade na eleição é o Estado, governado há 16 anos pelo PSDB.
Ele cobrou da coordenação da campanha de Aloizio Mercadante a criação de “fatos políticos” para conquistar um triunfo no maior colégio eleitoral do país.

Apesar disso, em outro comício, realizado ontem em Mauá (SP), Dilma Rousseff minimizou a pesquisa e tentou estimular a militância.

Nova queda desanima aliados de Serra

A disparada da presidenciável Dilma Rousseff (PT) na pesquisa Datafolha divulgada ontem abalou aliados e dirigentes da campanha de José Serra (PSDB).

O clima de desânimo marcou as reações dos tucanos, que agora dizem esperar um “fato novo” para levar a eleição ao segundo turno.
“Isso impacta a gente. Não é fácil, mas só podemos desistir no último minuto”, disse a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). “É ruim esperar o imponderável, mas precisamos lutar até o fim.”

O resultado ampliou a pressão por mudanças na propaganda eleitoral de Serra, que tem tentado colar sua imagem à de Lula.

Na TV, tucano usa disfarce em ataques à adversária

Em queda livre segundo o último Datafolha e sob pressão de aliados para que adote um tom mais agressivo, o candidato José Serra (PSDB) partiu para o ataque contra a adversária Dilma Rousseff (PT) em seu programa na TV, ontem à noite.

Porém usou um artifício para tentar descolar as críticas de seu próprio programa. O ataque veio nos 25 segundos finais do espaço destinado a Serra, fazendo parecer que o bloco da candidatura tucana já havia acabado.

Centrado na educação, o programa seguia o padrão dos anteriores, com a exibição de realizações de Serra quando governador de SP e promessas para a área, até aparecer na tela a vinheta “Serra, presidente do Brasil”, dando a impressão de que o programa tinha terminado.

Dilma tem o maior potencial entre quem não viu propaganda

A parcela da população que ainda não assistiu aos programas eleitorais na TV representa 66% do eleitorado e é formada sobretudo pelos menos escolarizados e pelos mais pobres, segmentos em que a candidata Dilma Rousseff (PT) se sai melhor.

Segundo pesquisa Datafolha realizada na sexta, a petista tem vantagem ainda maior, de 24 pontos, sobre José Serra (PSDB) entre os 34% dos eleitores que viram a propaganda eleitoral gratuita.

Essa diferença mostra a consolidação do potencial de transferência de Lula para sua candidata, com a associação direta entre os dois feita pela propaganda eleitoral.

PT atribui crescimento de Dilma à TV

Os maiores partidos da chapa de Dilma Rousseff (PT) à Presidência comemoraram a dianteira conquistada pela candidata do presidente Lula na pesquisa Datafolha divulgada ontem.

A petista tem 17 pontos de vantagem sobre o tucano José Serra e chegou aos 47% de intenção de voto. Serra tem 30% e Marina Silva (PV), 9%. Considerando apenas os votos válidos, Dilma venceria já no primeiro turno.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, creditou a alavancada à qualidade dos programas eleitorais da petista. Esta semana teve início a campanha em rádio e TV

“Estamos indo muito bem, mas não dá para subir no salto alto. Vamos continuar com a nossa campanha e incentivar a militância a ir às ruas.”

Polícia Federal fecha rádio que ironizava políticos no Pará

A Polícia Federal fechou ontem uma rádio pirata de Belém que criticava a governadora Ana Júlia Carepa (PT), candidata à reeleição.

A Rádio Tabajara, que ironizava políticos locais, operava há dois anos e meio na internet e ilegalmente em FM.

Carlos Mendes, um dos jornalistas da rádio, disse que Ana Júlia intercedeu politicamente para que a rádio fechasse. Sua assessoria negou que tenha pedido o fechamento.

Foram levados os equipamentos de transmissão da rádio, que agora é transmitida somente pela internet.

Serra e Dilma não priorizam metrô de SP

No que depender dos dois principais candidatos a presidente da República, é melhor São Paulo não esperar verbas federais para ampliar a rede de metrô da cidade.

Contrariando o que defendem os especialistas na área e os candidatos de seus partidos ao governo paulista, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) não se comprometem com o repasse de recursos orçamentários para o metrô.

Pivô de dossiê distribui boletim pró-Dilma

Envolvido na negociação de um dossiê contra José Serra (PSDB), o dono da Lanza Comunicação, Luiz Lanzetta, abastece veículos de comunicação de todo o país com conteúdo pró-Dilma Rousseff (PT) e contra o tucano.
Pelas contas da empresa, o material é distribuído diariamente a 556 mil e-mails e reproduzido por 250 sites.

A Lanza entrega gratuitamente o conteúdo do boletim “Brasília Confidencial”, que é reproduzido por sites de partidos aliados do PT, simpatizantes de Dilma, centrais sindicais, jornais e rádios.

Também é usado pela rede de mobilização comandada por Marcelo Branco, responsável pela campanha de Dilma na web. Até explodir o caso do dossiê, o site oficial de Dilma usava o conteúdo.

Centros sociais viram “currais” no Rio

Arma de boa parte dos políticos fluminenses, centros sociais que oferecem serviços à população estão na mira do Tribunal Regional Eleitoral e do Ministério Público.

Ao menos 20 locais desses já foram fechados. Neles, fiscais do TRE-RJ encontraram medicamentos -alguns com validade vencida-, cadeira de rodas, material de campanha e dados de eleitores. Há, ao todo, 129 entidades mapeadas no Estado.

Os centros oferecem principalmente atendimento médico gratuito, mas há também alguns que oferecem cursos profissionalizantes.

Folha e UOL reúnem candidatos a vice

A Folha e o UOL promovem nesta terça-feira, dia 24, às 10h30, um encontro entre os candidatos à Vice-Presidência nas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).

Durante duas horas, Michel Temer (PMDB), vice de Dilma, Indio da Costa (DEM), vice de Serra, e Guilherme Leal (PV), vice de Marina, responderão a perguntas de Irineu Machado, editor-executivo do UOL Notícias, e de Vera Magalhães, editora do caderno Poder.
Jornal promove sabatinas com Cabral e Gabeira

A Folha promove, em parceria com o portal UOL, nos dias 25 e 26 de agosto, sabatinas com Sérgio Cabral (PMDB) e Fernando Gabeira (PV), candidatos que disputam o governo do Estado do Rio de Janeiro.
O primeiro a ser sabatinado é Gabeira, no dia 25. No dia seguinte, Cabral, candidato à reeleição, será o entrevistado. As sabatinas acontecerão às 11h, no Teatro dos Quatro (Shopping da Gávea, r. Marquês de São Vicente, 52).

Candidatos gays divergem sobre a melhor estratégia

“Boa noite, tenho 27 anos e sou candidato a deputado distrital. Quero trabalhar para que a palavra “inclusão” deixe de ser necessária.”
Com esse discurso, Michel Platini (PT) citava sua experiência num bar alternativo de Brasília: intérprete de sinais e coordenador de campanha para ônibus adaptados e do fórum de pessoas com deficiência.
Sutilmente, Platini falava de sua ligação com um grupo gay do DF.

Assumidamente homossexual, Platini coloca a militância gay sob o guarda-chuva mais amplo dos direitos humanos, numa tentativa de diversificar o eleitorado.

Coadjuvante, Indio faz campanha solo

Mais de 50 dias depois de ter sido escolhido vice de José Serra (PSDB) num processo que quase rachou a coalizão em torno do tucano, o deputado federal licenciado Indio da Costa (DEM) cumpre, em carreira solo, papel coadjuvante e descolado da coordenação-geral da campanha.

Serra bateu o martelo sobre o nome de Indio -com quem só havia falado uma vez- horas antes do prazo para a realização da convenção do DEM, em 30 de junho. O partido ameaçava largar o barco tucano caso Serra não aceitasse um demista.

A favor de Indio pesou ser jovem, do Rio (terceiro maior colégio eleitoral do país) e ter imagem ética pela relatoria do projeto da Lei da Ficha Limpa na Câmara. Sua missão era compensar o palanque frágil de Serra no Rio e catapultar sua votação e a simpatia entre os jovens.

Plínio resgata propostas da esquerda

O candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, retoma, em suas diretrizes eleitorais, antigas propostas da esquerda radical brasileira e inclui proposições inusitadas como privilegiar a fabricação de veículos coletivos e fazer acordo com a Embraer (hoje privada) para construir turbinas para produzir energia eólica.

Entre as propostas estão auditoria da dívida pública e de todas as concessões de rádio e TV, re-estatização da Vale e das empresas do setor elétrico, jornada de trabalho de 40 horas e reforma agrária e limitação do latifúndio.

Correio Braziliense

Reféns do horário eleitoral gratuito

“Essa é a mulher do Lula?”, pergunta a dona de casa Djalva da Abadia Coutinho, 41 anos, ao escutar, pela primeira vez, a voz da candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, no programa eleitoral gratuito no rádio. A moradora de Sobradinho dos Melos, área rural a cerca de 70 quilômetros do Palácio do Planalto, integra uma fatia da população que não tem acesso a meios de comunicação, como revistas, jornais ou a rede mundial de computadores. Portanto, só passa a ter conhecimento das propostas dos candidatos com o início da propaganda política no rádio e na televisão. São apenas 45 dias — período em que os programas são exibidos — para que essas pessoas avaliem as opções e escolham, por exemplo, o próximo presidente do Brasil.

Desde a última terça, quando foram ao ar os primeiros programas eleitorais, Djalva faz questão de acompanhar as propostas. A dona de casa afirma que está mais atenta à importância de escolher um bom representante desde que uma desgraça ocorreu na família, há um mês. Em julho, o filho mais velho dela, Diego Braz Coutinho, 17 anos, morreu vítima de leucemia no Hospital de Base. Djalva conta que faltavam remédios e que o filho não recebeu o tratamento adequado. Diego passou por três hospitais públicos e, desenganado, passou os últimos dias de vida tomando altas doses de morfina para aliviar as dores.

“É um sofrimento grande. Se a saúde no Brasil estivesse bem, meu filho não estaria embaixo da terra neste momento. Foram três hospitais públicos e nenhum conseguiu dar um tratamento decente ao Diego. É por isso que quero escolher bem em quem votar e escuto com cuidado o que cada um dos políticos diz para saber quem vai merecer o meu voto”, ressalta Djalva, na sala simples da casa onde mora, ao lado do rádio, único meio de comunicação de que dispõe. A casa dela faz parte dos 5% da população brasileira que não possui televisão, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Jeitinho para tocar obras

Jeitinho para tocar obras

A prefeitura da pequena Jataúba (PE), de 15 mil habitantes, recebeu R$ 220 mil na sua conta-corrente em 2 de julho, o último dia antes do início do período eleitoral, quando obras novas não podem receber recursos. O dinheiro está destinado para melhorias sanitárias em comunidades carentes. Mas as obras só iniciaram mais tarde. “A obra começou em 19 de julho. No dia 2, já estava licitada. Foi chegar e começar”, contou o engenheiro civil da prefeitura, Fernando Guimarães. O jeitinho de tocar obras no período vedado pela Lei Eleitoral não é exclusividade de Jataúba. A brecha para irregularidades foi aberta pela estratégia do governo federal de concentrar o pagamento de recursos nos últimos dias antes da campanha oficial, com liberações para construções recém iniciadas ou para outras que não tinham nem licitação realizada.

O Correio analisou a execução de quatro programas de diferentes ministérios e descobriu a concentração de pagamentos. As liberações de programas dos ministérios do Turismo, Cidades, Esporte e Saúde no mês de julho somaram R$ 270 milhões. Desse total, R$ 166 milhões foram depositados nas contas das prefeituras nos dias 1º e 2. O dinheiro vai financiar obras de abastecimento de água, esgotamento sanitário, quadras esportivas, pavimentação de ruas. Todas com repercussão eleitoral. A base de dados foi baixada do Siafi (sistema informatizado que registra os gastos do governo) pela ONG Contas Abertas. Boa parte dos projetos resulta de emendas dos parlamentares. Com o Orçamento da União para este ano represado, por questões fiscais, o governo lançou mão dos “restos a pagar” de 2009, 2008 e até 2007 para cobrir as despesas.

As melhorias sanitárias em Jataúba vão beneficiar 150 famílias, ao custo total de R$ 550 mil, com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O engenheiro de Jataúba é lembrado de que só empreendimentos já iniciados antes do período eleitoral podem receber recursos. Ele é questionado se a obra poderia ser considerada como iniciada antes de 3 de julho. “Veja bem, tecnicamente, porque ela já havia sido licitada antes. O convênio foi assinado no governo passado, e nós licitamos. Depois, ficamos aguardando a liberação dos recursos, que demoraram a chegar. A ordem de serviço foi assinada em janeiro. Não tinha iniciado porque não tinha recursos. Se não chegasse o recurso, a prefeitura não tinha como arcar com essa obra.”

Repasses refletem um “esforço concentrado”

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) defendeu a legalidade dos repasses em massa feitos em 2 de julho, num total de R$ 21 milhões. Mas reconheceu que houve um “esforço concentrado”. “Não há impedimento legal algum quanto ao pagamento, pois na data citada não existia óbice algum quanto à exigência da data de início. Informamos que o fato da concentração ocorrer em 2 de julho se deveu ao trabalho das coordenações regionais da Funasa, visando a aprovação do maior número de projetos possíveis, com vistas a execução das obras”.

A Funasa também procurou esclarecer se o pagamento deve ser feito quando a obra é concluída ou não. “Vale informar que a Funasa opera com a celebração de convênios (transferências voluntárias) e termos de compromisso (transferências obrigatórias) sem contrato de repasse. No primeiro caso, a Funasa repassa a primeira parcela de recursos para uma conta única do convênio/termo de compromisso após a aprovação do projeto, e segue o cronograma de desembolso. Nos contratos de repasse, como é feito na Caixa Econômica Federal, o desbloqueio da conta é feito após a medição das faturas — o que não é o caso da Funasa”.

O Ministério do Turismo afirmou que “a obra é considerada iniciada quando serviços previstos no contrato estiverem, de fato, em andamento. Isso exclui a montagem do canteiro de obras ou a limpeza do terreno”. Informou que autoriza a Caixa a depositar recursos numa conta aberta com a finalidade exclusiva de receber dinheiro para obra específica.

Pérolas em forma de jingle

Pouco mais de um mês depois do início da corrida eleitoral e o pleito de outubro já é pródigo em jingles de gosto duvidoso. Até aqui, a coleção de paródias de obras famosas atinge músicas de artistas internacionais, nacionais e até hits do momento. A lista de pérolas é extensa. Vai de Ê Vaccarezza, cópia descarada do sucesso Macarena, da dupla espanhola Los del Río, a Vote no Lindolfo Pires, em uma tradução “artística” de Beat it, de Michael Jackson. A dose contestável de criatividade serviu para que os citados pelos jingles, os candidatos a deputado federal Cândido Vaccarezza

(PT-SP) e estadual Lindolfo Pires (DEM-PB) se tornassem febre na internet. O resultado nas urnas, contudo, ainda é imprevisível.

Pelo menos até agora, parece que foi engavetado o exercício de fabricar jingles inéditos, prática que rendeu músicas inesquecíveis, como o Lula-lá, da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989, e o Levanta a mão, de Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Os políticos que tentarão mandatos em outubro preferiram, por maioria, parodiar músicas famosas — sem dar muita bola para os direitos autorais da canções. A única ressalva nesse sentido deve ser feita a Netinho de Paula (PCdoB-SP), que, na tentativa de conquistar uma vaga ao Senado, parodiou o seu maior sucesso, Cohab city.

A mulher do Lula

Padrinho? É a pessoa que batiza outra. Ou serve de testemunha de casamento, duelo & similares. A figura é tão importante que merece um provérbio. “Quem não tem padrinho”, diz o povo sabido, “morre pagão.” O destaque nasceu na antiga Roma. Os moradores dos pagus (aldeias) não aderiram ao cristianismo. Politeístas, ignoraram o batismo. Azar deles. Sem o sacramento, eram pagãos.

No país dos privilégios, padrinho ganhou outras acepções. Virou sinônimo de pistolão. Ou simplesmente QI, sigla de “quem indica”. Ganhou, também, outras caras. Antes eram artistas. Chico Buarque, Caetano, Marília Pera, Regina Duarte & constelação global faziam campanha pra este ou aquele candidato. Neste ano, eles sumiram. Novas vedetes ocupam a vaga.

Lula é a estrela. Candidatos o disputam sem constrangimento. Serra, que virou Zé mas não convenceu, posa ao lado do presidente. Como administrador, coloca-se no mesmo saco do petista. “Eu e o Lula”, diz com intimidade. Mas não cola. Está na cara que o amor do bem-amado é outro. Dono do pedaço, o astro aparece grudado na eleita. Jura de pés juntos, cara lavada e sorriso largo que governou com ela: “Eu e a Dilma fizemos”.

Subida de tom no horário eleitoral

O candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra, usou seu programa de rádio ontem para reforçar a comparação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tratar a adversária Dilma Rousseff (PT) como uma mera assistente. A petista disse, indiretamente, que se o tucano for eleito ele acabará com programas do atual governo.

Serra atacou a concorrente dizendo que ela foi inventada na véspera da eleição. Um dos personagens chega a afirmar que ela sequer ganhou eleição para clube de jogo de baralho. “Lula foi presidente de sindicato, ganhando eleição, foi presidente do partido dele, ganhando eleição, ganhou eleição para deputado, disputou uma eleição para governador e três para presidente antes de chegar lá. Você pode gostar ou não gostar, mas experiência ele já tinha quando foi eleito. A Dilma nem eleição para clube de tranca ganhou. Tá parecendo um capricho dele de botar a assistente lá”, lista o personagem Ari, um nordestino com voz rouca, bastante peculiar.

Logo depois, o programa do PSDB critica a situação da Saúde no Pará, governado por Ana Júlia Carepa (PT), e emenda dizendo que a ex-senadora também foi uma invenção. “Foi o Lula que indicou e deu tudo errado. Não dá para repetir”, diz um dos personagem e o outro completa: “Depois dá problema e quem vai pagar o pato é o povo”.

Esperança de um turno só

Vencer em primeiro turno. Essas são as quatro palavras mágicas que não saem da cabeça de todos os integrantes da campanha de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. E essa semana teve o tom reforçado com as recentes pesquisas de intenção de votos, o que os petistas consideram derrapadas do adversário José Serra escancaradas pela propaganda eleitoral gratuita.

Em comício no município de Mauá, no ABC paulista, Dilma e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotaram o discurso de liquidar a fatura no primeiro turno. Apesar de pregar cautela e evitar o salto alto, o clima entre os militantes é de animação. Para a candidata, a vitória sem uma nova rodada de votação é o resultado da aprovação do projeto do atual governo.

“Qualquer vitória que a gente porventura consiga vai depender da aprovação de um projeto que nós começamos há muitos anos. É isso que pode levar em 3 de outubro, às 5h da tarde, fechadas as urnas, e iniciada a contagem de os votos a ter qualquer perspectiva de ganhar no primeiro turno e, caso não seja isso, ir para o segundo turno e ganhar também`, afirmou a petista.

Voto de detentos confunde TREs

Os cerca de 20 mil presos provisórios aptos a votar nesta eleição criaram um imbróglio nas Justiças eleitorais dos estados. Diretores de presídios e juízes de tribunais regionais estão confusos em relação à propaganda eleitoral nas casas de detenção e afirmam não terem soluções rápidas para problemas de estrutura e segurança para a realização das votações.

Nos bastidores, presidentes de Cortes estaduais se dizem contrariados com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de limitar as propagandas eleitorais nas cadeias apenas às transmissões de rádio e de TV. Alegam que dar a um preso o direito ao voto e ao mesmo tempo tirar-lhe o acesso à informação contraria princípios constitucionais. Levantamento realizado pelo Correio nos estados brasileiros constatou que, apesar da decisão de seguir a orientação do TSE, as cortes regionais ainda têm ressalvas à decisão e não sabem como resolver problemas como a falta de televisores e rádios nas celas.

Para o líder do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), Luiz Carlos Santini, as dificuldades existem e foram relatadas por muitas cortes. No entanto, a orientação é seguir o texto editado pelo TSE e adequá-lo ao cenário regional. “A regra geral é permitir a propaganda apenas por rádio e TV. Mas é claro que há a dificuldade regional, estrutural. Aí, cada estado dará o seu jeito”, disse.

O Globo

Apesar da cautela, Dilma admite vitória no primeiro turno

Apesar do discurso cauteloso, em que frisou que “o jogo não está ganho” e “pesquisa não ganha eleição”, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, admitiu neste sábado a perspectiva de vencer no primeiro turno. Ela comentou o resultado da última pesquisa Datafolha , em que lidera com 47% das intenções de voto, contra 30% do tucano José Serra.

– Nós iniciamos um processo de transformação do Brasil. É isso que pode levar ao dia 3 de outubro, fechadas as urnas, às 17h, e começar a contar os votos. Aí a gente pode ter qualquer perspectiva de ganhar no primeiro turno. Ou, caso não seja isso, de ir para o segundo e ganhar também – disse Dilma, em entrevista em Mauá (SP).

Ao participar de um comício ao lado de Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu empenho para evitar “essa bobagem de segundo turno”, mas repetiu que é necessário evitar o “salto alto”.

Humoristas fazem neste domingo passeata contra a lei eleitoral

Um grande elenco do humor é esperado na passeata marcada para este domingo, às 15h, em frente ao hotel Copacabana Palace, no Rio. A razão da mobilização é a limitação imposta pela lei eleitoral , que proíbe sátiras a candidatos durante a campanha. Segundo o grupo Comédia em Pé, organizador da manifestação, mais de 50 profissionais do riso confirmaram presença, entre eles Helio de La Peña, do “Casseta&Planeta”, Danilo Gentili, do “CQC”, e Sabrina Sato, do “Pânico na TV”, Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo e Leandro Hassum. ( Leia mais: Para especialista, humor na política deve ser preservado)

Recentemente, os humoristas iniciaram uma onda de protestos através de redes sociais, como o Twitter, para mobilizar a opinião pública em torno de uma mudança na lei. ( Leia mais: Leitores do GLOBO não concordam com restrição ao humor) Congresso em Foco

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